Uma das provas da importância desta série dos defeitos de Obama é o que aconteceu na última semana. Obama anunciou que doaria toda a quantia oferecida pelos suecos (U$1,4 milhão) para a caridade, e a mídia aplaudiu como se ele estivesse fazendo uma grande coisa. Ou então, como se ele estivesse disseminando a paz.
Ora, será que só conseguimos olhar para nós mesmos? Será que os nossos umbigos são mais importantes do que os de Michelle e os das filhas Obama?!
Primeiro, temos que averiguar. Será que Obama consultou sua família antes de tomar essa decisão difícil? Ele conversou sério com Michelle, e, após ela concordar, decidiu que era melhor doar para os pobres? Não li isso em nenhum lugar. Nem ouvi. E isso já é uma prova de que não aconteceu: toda decisão de Obama baseada no diálogo é sempre dita a todos, inclusive a quem não se interessa pelo assunto.
E isto pode causar uma grave crise internacional. Acompanhe o raciocínio. Obama tomou esta decisão sozinho, e desagradou fortemente sua mulher – que preferia gastar o dinheiro em jóias e passeios – e as filhas – que queriam o último Ipod. Daí Obama, como se não estivesse contente com toda a crise mundial, terá que lidar com a crise interna, dentro de sua própria família.
O desgaste desta nova crise já anunciada poderá ter conseqüências terríveis. Se um espirro do presidente já eleva as ações dos anti-gripais a valores estratosféricos, o que acontecerá quando o presidente começar a aparecer cansado e mal humorado nas entrevistas?! Creio que a paz em Honduras, agora está mais distante. A do Oriente Médio, não preciso nem falar. E vocês acham que as pessoas voltaram a atirar umas nas outras nos Estados Unidos por quê?
Eu conheço meu leitor, e sei que alguém falará que se Obama tivesse ficado com todo o dinheiro, eu falaria aqui que ele tem o defeito da ganância. Mas a ganância seria, no fundo, uma qualidade que nos tranqüilizaria. É melhor que o presidente do maior país capitalista do mundo pense como um capitalista! Como deixar nosso dinheiro na mão de uma pessoa que... abre mão de dinheiro?! Se ele continuar com esse caráter voluntarioso, será um tapa na cara de todos aqueles que acreditaram no acúmulo de capital por esses anos todos!
É por isso que falo a Obama como amigo. Se ele não quer humilhar a todos com sua generosidade, e ainda assim causando uma forte briga com sua esposa e suas filhas, que tente recuperar o dinheiro que doou aos pobres. Seria esta uma atitude indigna que daria a todas as pessoas normais um pouco mais de dignidade. E de consciência tranquila.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Os defeitos de Obama #3 – Doou o dinheiro do Prêmio Nobel da Paz
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André Ursípedes
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Seção: Defeitos de Obama
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Você gosta de futebol?
Calma, não precisa responder.
Sei que este é um ambiente com pessoas de alto nível cultural e interesse avançado em tecnologia. E pessoas desse tipo não podem revelar o interesse próprio em futebol, já que isso as equipararia, sei lá, ao Pelé. E sabemos que Pelé não é culto.
Pois tem um novo site muito interessante sobre futebol. Se eu fosse você, entraria nele correndo! O nome é Eu não sou mané, Garrincha!, e o dono você pode imaginar quem é. Os textos são brilhantes. Eles elevam o futebol ao maior nível cultural possível!
O endereço é www.eunaosoumanegarrincha.blogspot.com . Repare que o dono ainda não comprou o domínio. Deve ser um pobretão.
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André Ursípedes
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Os defeitos de Obama #2 - Ele fuma

Na semana passada comecei a enumerar os defeitos de meu amigo Barack Obama. E olha que não digo a palavra amigo como força de expressão. Saiba você que já o entrevistei algumas vezes. E entrevistado meu é amigo meu.
Pois a intenção do post era, repito, enumerar os defeitos do Obama. Eis que um leitor desavisado desata a comentar aqui e no Orkut. O coitado se deu ao luxo de comentar sem pensar, e, vejam vocês, quis mudar o foco. Ele queria que não vislumbrássemos os defeitos do presidente norte-americano. Não, minha gente. Ele queria, pasmem, era que víssemos com todas as clarezas os defeitos dele, o comentarista. Infelizmente não digo o nome dele, pois eu não confio em um perfil do Orkut.
Eis o comentário dele, cidadão que não possui corretor ortográfico do Word. Mas eu tenho e lhe emprestei os serviços:
"Escrotice.
Mestrados em teologia de Harvard deduziram (isso mesmo, deduziram, pois não se pode ter certeza alguma) de que Jesus tinha olhos castanhos, cabelos castanhos escuros, era moreno e não branco como é o biótipo das pessoas do oriente médio, de pele ressecada de tanto andar de cidade em cidade para pregar o evangelho, e era magro.
Bem magro, nada de porte atlético pois vivia em jejum constante se alimentando apenas dos ensinamentos das escrituras do antigo testamento.
Ou seja, não era mesmo um homem bonito. Pois Deus não queriam que o respeitassem pela sua aparência ou riqueza mas sim pelo seu caráter. Por isso nasceu feio e pobre.
Quanto ao Obama, pergunta para ele se ele seria capaz de levar 50 chibatadas com pontas de ferro, levar escarradas no rosto, ser insultado espancado e pregado numa cruz por nós. Está longe de ser um Jesus."
Espera aí, colega.
Você disse que os especialistas de Harvard deduziram a verdadeira coloração de Jesus. Mas deduzir não significa nada. Uma vez eu deduzi que minha mãe não me daria presente da Natal, quando na verdade ela estava escondendo um Nintendo 64 novinho no meu armário. NO MEU ARMÁRIO! Você pode entender o que é isso?
Lamarck deduziu uma teoria da evolução completamente falha. E olha que estamos falando de Lamarck, não de meia dúzia de pesquisadores dessa universidade que, desculpe, desconheço.
Quero dizer que tenho provas de que Jesus era da cor que falei. Sim, sim. Já vi quadros em várias igrejas se reportando a Jesus nesta cor: branco, de olhos azuis. Pessoalmente, acho uma cor feia. Preferia que Jesus fosse mais escuro de olhos escuros, como Antonio Banderas ou Lázaro Ramos - estes sim, homens bonitos.
Aliás, qual é a sua fonte para dizer que ele era feio por ser daquele jeito? Pedro de Lara?
E eu concordo com você que Jesus está longe de ser um Jesus. Aliás, em nenhum momento disse que Jesus está próximo dele, porque considero que Obama está muito à frente de Jesus.
Pesquise melhor, por favor, antes de se expor em público.
Mas estamos aqui para falar do segundo defeito de Obama. E este é um defeito muito maior do que o primeiro.
Porque o primeiro é involuntário. Tudo bem que ele poderia tirar aquela pinta numa rápida consulta ao dermatologista, mas não foi ele que fez aquela pinta. O segundo defeito só pode ser curável depois de inúmeras visitas ao terapeuta, ao psiquiatra, ao cardiologista, ao pneumologista e sabem-se lá quais mais.
Obama fuma.
Ele que tem qualidades que nem Jesus tinha, tem um defeito que até idiotas não têm. Este é um grande alívio para todos nós, porque um grande homem que não tenha traços de idiotice não pode ser um grande homem.
E daqui a alguns anos, certamente ele terá câncer, e morrerá como qualquer um de nós: por uma doença. E aqui proponho outra vantagem de Obama em relação a Jesus: ele morrerá de morte humana, não na cruz. Não haverá aquela parnafelhada toda, com pompa de estrelas, só para mostrar que é superior.
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André Ursípedes
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Uma conversa com Obama
Sei que parece um pouco repetitivo falar de Obama quase todos os dias nesse espaço. Mas ele é um dos meus melhores amigos, e as conversas que tenho com ele sempre rendem.
Estávamos falando sobre arrogância. Eu disse que não há arrogância que se justifique no mundo, e ele concordou:
- Concordo! Nem eu, que sou inteligente, poderoso, chique, esportivo, intelectual, eloquente e popular! Nem eu, que tenho todos os motivos, sou arrogante!
- É, sim - respondi, porque é impossível discordar desse homem.
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André Ursípedes
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Os defeitos de Obama #1 - Pinta saliente ao lado do nariz

Quando a notícia de que Obama poderia ser o presidente dos Estados Unidos surgiu, muita gente ficou esperançosa. Se naquele momento um homem com tantos defeitos quanto Hitler era o presidente dos Estados Unidos, poderíamos sonhar que alguém com tantas qualidades quanto, desculpem, Jesus Cristo, ocupasse aquele cargo! Eu já pedi desculpas, mas vale de novo: desculpe, mas só posso compará-lo a Jesus.
Até porque Obama tem algumas qualidades que nem Jesus tem. Quantas línguas falava Jesus? Obama resistiu até pelo menos os 48 anos, enquanto Jesus só até os 33! Obama dominou o mundo sendo de uma cor contra a qual muitos têm preconceitos, enquanto Jesus tinha olhos azuis! Obama se orgulha bastante de Michelle Obama e ainda lhe deu o sobrenome, enquanto Jesus renegou e escondeu Maria Madalena, e a coitada teve que viver somente com nomes próprios - cacilda, nunca tinha pensado em Maria Madalena Cristo. É melhor parar por aqui, porque não estou esbanjando popularidade a ponto de dizer tranquilamente que Cristo era analfabeto.
Mas não pensem que assim é que defendo Obama. Somente uma coisa é pior do que um homem sem qualidades: um homem sem defeitos.
Pensando calmamente, você consegue enumerar defeitos de Obama de um a cinco? É capaz de falar mal dele sem que pareça forçado e invejoso? Impossível!
Pois nesta nova seção do blog, tratarei de enumerar os defeitos de Barack Obama. Somente com um bom número de defeitos poderemos vislumbrar com clareza quais são as qualidades dele, e assim teremos a certeza de que o mundo está entregue a boas mãos.
O defeito número um parece óbvio, mas demorei sete meses para encontrá-lo. Trata-se de uma pinta saliente ao lado do nariz do presidente. Ela se esconde ali à esquerda de seu rosto, e é ofuscada pelo entusiasmo do olhar e pela boca eloquente.
Não que uma pinta seja defeito - não quero perder a audiência dos ruivos. Acontece que a pinta de Obama é saliente e, repare, oleosa. O brilho dela é maior do que o brilho costumeiro da pele, já que pó de maquiagem é rapidamente absorvido por qualquer oleosidade.
Agora podemos ficar tranquilos. Naquele rosto que mistura a profundidade de um intelectual com a beleza de um atleta, há, graças a Deus!, um defeito.
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André Ursípedes
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terça-feira, 20 de outubro de 2009
Regra de convivência #124 – Não diga “estória”
Coitado do Guimarães Rosa.
Houve uma vez em que ele escreveu o livro "Primeiras Estórias" tal qual a mãe de um assassino - com a inocência de quem não sabe o mal que criou. Não pelo livro, que é, de fato, muito bom – eu li a orelha, por isso posso falar. Alguém uma vez comparou a forma de narrativa de Guimarães com a deste blog. Mas ainda bem que a pessoa disse "guardadas as devidas proporções", senão eu ficaria ofendido.
Bem. Sabemos que não é simples ler Guimarães Rosa. Ele usa vários neologismos, tem uma narrativa complicada e, quando se encerra o livro, é como se o leitor não tivesse lido um livro, mas uns oito, de tanto que teve que reler algumas partes.
Mas eu falava do livro "Primeiras Estórias", não é? Pois bem. Tem gente que ao contar uma história, diz que contou uma estória. Essas pessoas fingem que querem distinguir uma "história" - narrativa comum - de uma "estória" - narrativa de cunho popular. Mas na verdade, caro leitor, elas só querem dizer o seguinte:
- Eu li Guimarães Rosa, aquele autor complexo.
Por isso, se você quer dizer que leu Guimarães Rosa, deve agir de forma mais discreta.
Primeiro, deve fazê-lo somente em uma aula de literatura. Depois, diga somente em último caso – quando perguntado. E por último, mas principal, diga baixinho, porque alguém de fora da sala pode ouvir.
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André Ursípedes
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Deu, o singular de Deus;
segundo contam as pessoas mais vividas, foi Deu quem inventou a garrafa térmica.
Ele gostava muito de passar noites acampando na selva, e que raiva que ele não passava quando ia experimentar o café, e percebia que ele já estava frio? Pois numa mistura de necessidade, habilidade e criatividade, criou a garrafa que mantinha a temperatura do líquido que nela estivesse.
Isso causou, porém, muita inveja a alguns. Um famoso apresentador de televisão da época chegou a propor-lhe um desafio. Colocou chá quente na garrafa térmica de Deu, e propôs que o chá fosse tomado dali a algumas horas. Naquele tempo, quando as coisas eram, digamos, mais corretas, ninguém tomava chá gelado.
Passadas três horas, foram todos experimentar o chá de dentro da garrafa de Deu. Batata, ainda estava quente. E Deu, com toda sua sabedoria, disse ao apresentador de TV:
- Quente viu, quente vê.
Esta frase causou frisson. Todos passaram a utilizá-la. E como tudo que passa pelo povo, acabou sendo modificada e, por que não?, vulgarizada para a forma como se fala hoje. Mas isto não causa dor de cabeça a Deu, o singular de Deus.
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André Ursípedes
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Seção: DEU - o singular de deus
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Pergunta do leitor
Como é participativo, o leitor deste blog! Acho que, por serem muito escolarizados, eles aprenderam que é sempre importante interagir, emitir uma opinião!
Outro dia mesmo recebi um comentário de alguém que dizia o seguinte: "Ótimo!". A pessoa não queria acrescentar nada, não queria propor nenhuma abordagem diferente ao post, não queria sequer, arrisco a dizer, comentar. Era só um registro de que ela passou por lá, como quem bate o ponto no trabalho.
Nessa semana, um leitor participativo perguntou-me algo que, honestamente, nunca havia passado pelo meu cérebro:
- Por que o blog tem esse nome?
Eu poderia responder de forma simples e lacônica, mas iria soar como uma bronca. E eu não quero dar bronca, porque quem dá bronca quer melhorar o outro. Eu não quero melhorar meu leitor. O intuito deste espaço é demonstrar a clara superioridade de meus pensamentos frente àquele que os lê. Este blog é um golpe em qualquer arrogância.
São três opções de justificativa para o nome deste blog. Escolha a que melhor convir.
a) O blog tem este nome porque, no primeiro texto aqui publicado, uma moça diz para a outra: "Eu não sou virgem, Maria!"
b) Dei este nome ao blog para fazer uma piadinha ao dizer o endereço do blog para as pessoas. Elas achariam que eu não sou a santa Virgem Maria, quando na verdade eu estava dizendo que não era virgem.
c) O nome deste blog é bíblico, e relata a passagem em que Jesus, sem olhar para trás, quer falar com sua mãe, mas é uma desconhecida que lá está. A desconhecida diz "Eu não sou Virgem Maria!". A identidade dela é um dos maiores mistérios da Bíblia, não revelado sequer pelo livro famoso O Código da Vinci.
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André Ursípedes
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Entrevista de emprego
Esperei por três minutos na sala de espera, quando a secretária já me anunciou para o patrão. É claro que me vem à cabeça que esta empresa deve ser diferenciada. Aliás, não só a empresa, como o patrão também. Ele não gosta de deixar as pessoas esperando por muito tempo. Na verdade, não me deixou esperando nadinha, porque havíamos combinado para as quatro da tarde, e eu cheguei às três e cinquenta e sete.
Ele mesmo abriu a porta, e pensei que ele pode ser gay, mas a barba mal feita suspendeu, pelo menos por enquanto, essa impressão. Sentei, ele também. A cadeira dele não era nem tão melhor que a minha. A única diferença perceptível era a de que a dele se movimentava muito mais para trás, além de ser vermelha.
- Então você é o André Ferreira.
- Não, não. André Pereira, com pê e um érre só.
- Não é Ferreira?
- Não.
- Certeza? Você não é o André Ferreira?
- Certeza, cara.
Ele apertou um botão no centro da mesa, e a secretária apareceu imediatamente. Ele pediu para eu dizer meu nome.
- André Pereira.
Ele olhou para a secretária, e ela fez uma cara de espanto, com a mão na frente da boca, como se fosse uma pin up. E ela saiu da sala.
Apesar de eu ter dito meu nome duas vezes, o homem à minha frente não disse nenhuma vez o nome dele. Ele pôs o cotovelo na mesa, apoiou a cabeça no braço, e disse qualquer coisa, como:
- E aí. Me diz, sei lá, sobre sua vida. Onde você já trabalhou antes?
Eu já tinha suspeitado, e agora eu tive a certeza de que a secretária se confundiu. Chamou para a entrevista o André Pereira no lugar do André Ferreira.
- Eu já trabalhei num prostíbulo.
- É mesmo? Fazia assessoria de imprensa?
- Não, não. Prostíbulos não têm assessores de imprensa.
- Então você fazia o site?
- Prostíbulo não tem site.
- Sei lá, então o que você fazia no prostíbulo?
- O que uma pessoa faz num prostíbulo, cara pálida?
Com muita dignidade, peguei minha Samsonite, levantei e fui embora sem me despedir.
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André Ursípedes
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Seção: Crônicas
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Deu, o singular de Deus;
era comum ver Deu acompanhado de seu discípulo favorito durante todos os momentos de folga. Deu o tratava com todos os carinhos que o filho predileto merece: pagava-lhe as contas, ajudava-o nas discussões, comprava brinquedos novos, ria das piadas sem graça dele. Enfim, tudo o que se pode esperar de um pai puxa-saco, embora, cabe dizer, Deu não seja o pai dele. Mas, principalmente por isso, Deu o tratava ainda melhor, pois não tinha a segurança de amor eterno e perdão certeiro que um pai costuma ter.
Ah, sim. O nome dele? Sereno.
Pois aconteceu com Sereno todo o mal que acomete os mimados. Depois de certo tempo, foi mostrando cada vez menos motivos para ser gostado. Tornou-se, mesmo, muito forçoso para Deu rir daquelas piadas sem graça, que agora costumavam constranger as pessoas pelo ridículo, ao invés de encantá-las pelo riso. E se Deu ainda pagava as contas e comprava presentes, era pelo hábito, não pelo carinho anterior.
E Sereno tornou-se um tirano. Fazia tudo o que queria, e Deu já não arranjava força de censurá-lo. Também nem mais adiantava. Sereno não ouvia nada além de seus instintos. Sua audácia chegou ao ponto de bolinar todas as meninas, não importando se fossem bonitas ou feias, e todos os meninos, estes os mais bonitinhos, assim que saíam do banho, ou quando fosse à rua.
Deu tratou de reunir todos os seus seguidores numa sexta-feira marrom, e foi o que disse:
"Caros seguidores. São de vosso saber as travessuras que meu discípulo Sereno vem cometendo. Suas atrocidades passam de qualquer limite, e nenhuma menina, e nenhum menino bonito, podem sair por aí tranquilos. Eis o seguinte conselho que vos ofereço e peço que espalhem para todos os conhecidos: Cuidado com o Sereno."
O discurso de Deu foi muito comovente - ele chorou em alguns instantes. As pessoas saíram de lá com esperança, mas tudo o que se sabe é que depois que os pais e as mães ofereciam este conselho aos filhos, eles tratavam somente de se agasalhar melhor. O que é totalmente ineficaz, como costuma dizer Deu, o singular de Deus.
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André Ursípedes
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Seção: DEU - o singular de deus
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Gravatas, borboletas, e gravatas borboleta
Sobre as gravatas
Eu já disse aqui umas três vezes, e por isso não faz mal dizer pela quarta vez: as gravatas representam para o vestuário o que o bigode representa para a face.
Não entendeu? Eu preciso conquistar novos leitores, é por isso que explicarei. Quando um homem deixa a barba crescer, o faz somente por desleixo. Não é para embelezar a cara. Aliás, pode até ser, mas não parece que é. Aquilo é natural para o sexo masculino: crescem pêlos na face. Agora, quando ele deixa simplesmente o bigode, sinaliza logo que tem uma preocupação estética com os pêlos faciais. Da mesma forma, a gravata.
O homem veste a camisa porque é preciso vestir alguma coisa. Põe o terno porque faz frio. E a gravata? A gravata ali serve como um enfeite da mesma forma que o bigode. Sim?
Há gravatas de todas as cores, todos os tamanhos, todos os tecidos. Não há, porém, gravata que seja bonita. Também pudera. Os vestuários ornamentais só ficam bem nas mulheres. E eu nunca vi mulher de gravata.
Sobre as borboletas
A borboleta é o símbolo maior da frescura na natureza.
Não sei se Deus, não sei se Darwin, ou se nenhum dos dois. Mas alguém não estava satisfeito com todas as belezas da floresta, e resolveu criar um adorno, alguma coisa que desse ainda mais beleza ao mundo. E o mundo, à época da criação, era aquela coisa doce. Posso dizer até aquilo que nossas tias dizem para a gente quando temos três anos: - "Se melhorasse, estragaria".
Pois foi preciso um defeito para compensar a borboleta, que melhoraria o mundo e o estragaria. Daí surgiram as lagartas, para dar origem a elas.
Acompanhem o raciocínio: se as gravatas representam para o vestuário o que o bigode representa para a face, a lagarta representa para o mundo animal o que o cocô representa para o mundo vegetal.
Sim, sim. A lagarta é o adubo necessário, repugnante e inconfessável da borboleta.
Enfim, sobre as gravatas borboleta
Quando eu disse aquilo sobre a semelhança entre bigode e gravata, imagino que o leitor tenha imaginado uma gravata convencional, daquelas que lembram uma seta rumo ao pênis. Simplificaria se pedisse que o leitor guiasse sua imaginação à gravata borboleta.
Este é um tipo de gravata que lembra até fisicamente o bigode. Coloque uma camisa branca e uma gravata borboleta preta, deixe crescer os pêlos abaixo do nariz e acima da boca, que você terá dois bigodes em seu corpo.
Mas tome cuidado: a gravata borboleta lembra muito, desculpe, o bigode de Hitler.
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André Ursípedes
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O fim de um blog
Como um blog termina é mais difícil dizer. Mas o começo é sempre muito parecido.
O sujeito se acha criativo, pensa que é genial, e tem a certeza de que é um desperdício ter todas as suas ideias guardadas para ele mesmo. Então, como as revistas lhe recusam espaços, os jornais pensam que ele tem a relevância de um suicida e, posso dizer, nem a mãe do sujeito desconfia que ali exista algum talento, ele resolve criar um blog.
Aí, mesmo sonhando com a entrevista no Programa do Jô, ele jura não ter a pretensão de ficar famoso. Diz que faz aquilo somente por generosidade! Que ele não é egoísta como alguns gênios que existem por aí, que escondem o conhecimento dos outros. Nada! É mais que uma obrigação que as outras pessoas desfrutem todo esse talento. Assim como a Brigitte Bardot não coloca uma burca para andar por aí, ele não bloqueia suas idéias.
Alguns posts criados, o próximo passo é comentar descompromissadamente em blogs de respeito. Nosso herói cita seu blog com um despropósito menor do que se pedisse por favor. Elogia o dono do blog famoso como se ele Rubem Braga fosse. "Suas crônicas de seu dia a dia são muito divertidas. Às vezes eu bocejo enquanto as leio, mas não se engane! É porque durmo muito pouco de noite. Não vá pensar mal de mim e de seu blog, por favor. Ah, eu tenho um blog. Se você entrasse seria uma honra. Uma honra, não! Muito mais que isso. Mas eu não conheço palavra maior do que honra para essa situação, então fique sabendo que seria mais que uma honra, ou duas." E em seguida vai o endereço do blog.
O dono do blog famoso fica, claro, muito lisonjeado. Ele é muito seguro de si, e não vai imaginar, nunca, que o elogio do blogueiro iniciante veio por interesse. Os outros recebem elogios por interesse. Ele só recebe por merecimento. Deve ser pela posição dos planetas, ou pela foto descolada que tem lá em cima, à esquerda, que repele os oportunistas. Mas eu estava falando de nosso amigo blogueiro iniciante.
Eu ainda não dei nome a este blogueiro. Oswaldo, com dáblio. O dele era com vê, mesmo. Mas ele inventou o w para a internet (www).
Oswaldo recebe um elogio no blog famoso, e toma isso como incentivo, porque muitas pessoas começam a entrar, a comentar, e quando ele percebe, já está postando várias vezes ao dia. Mais! Enquanto não posta, pensa nos futuros posts. Chega até a receber alguns comentários despretensiosos de gente pedindo para linkar o blog dele. E ele linka, porque não se esqueceu da generosidade anterior.
Passa um tempo, porém, e a empolgação passa. Oswaldo se cansa do próprio blog, dos próprios pensamentos, e posta somente uma vez a cada semana. Depois uma vez por mês. E quando percebe, o blog que ficou famoso em tão pouco tempo, já é esquecido em tempo menor ainda.
O leitor deve achar, agora, com razão, que este post sinaliza o fim deste blog. Eu também pensaria.
Mas é com imensa alegria que digo que não, não é o fim deste blog. Pelo contrário! Ele existe há apenas dois anos, e pretendo mantê-lo pelo menos nos próximos cinquenta. Vocês pensaram isso somente pela história comovente de Oswaldo, que poderia ser uma analogia com a minha. Mas não é.
Agora esqueçam o Oswaldo.
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Fatinha
Ela subiu no meu colo devagarinho, enquanto eu estava distraído. Tão distraído, que me esqueci de que não gosto de gatos. Detestava gatos, e quando passava por um na rua, distanciava sem a preocupação de parecer casual.
Ah, sim. Quem subiu no meu colo foi uma gatinha.
Se esfregou em mim, e eu não sei por quê, mas fiz um carinho nela também. Fiz um carinho como se meu cachorro não tivesse morrido, e fiz o carinho como se gatos fossem que nem cães. Ou melhor: fiz um carinho como se ela não fosse gato.
Mas não parou de se esfregar em mim, e o nariz dela é rosa. Fora que não parava de espirrar feito quem está com gripe brava. Se ela não tivesse o nome de Fatinha por causa de uma tia da minha esposa, sugeriria o nome de Vick, por causa do Vaporubi.
Então a mãe da minha esposa disse que a gata faz isso por ciúmes da criança mais linda. A mãe disse que ela fez por ciúmes, não por mim. Eu pensei que tudo bem. É um ciúmes muito bem aplicado e muito gostosinho. Pode se enciumar em mim, eu disse em pensamento para a gatinha.
Meu tronco ainda estava tenso e retesado. Notei que era uma falta de cumplicidade com a coitadinha da gatinha, que se contorcia em meu colinho. E voltei à minha postura primata.
A minha esposa me olhou com ciúmes e disse:
- Ela é assim com todo mundo!
Pois eu olhei para ela com minha cara que diz que é um absurdo que ela sentisse ciúmes, já que é uma alegria gostar de tudo que é dela, e, enciumado da gatinha, não disse, mas poderia ter dito:
- Mas eu não sou assim com ninguém!
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Sobre o que falam os modernetes
Eu tenho uma teoria esquisita. Assim como todo time brasileiro de primeira linha tem que ter alguma coisa, um què, que relembre a seleção de 58, todo texto bem escrito neste país tem que, necessariamente, ter alguma coisa que se direcione a Machado de Assis.
E olha que eu não leio muito Machado de Assis. A última coisa que li deste homem foi um conto de que nem me lembro a história. Isso é muito importante: a história num texto brasileiro maneiro não tem a menor importância. Assim como, me desculpem repetir a relação, o resultado final de um jogo jogado por um time que lembre a seleção de 58 não tem a menor importância.
Falo isso porque ouvi de alguém que este blog não tem lógica, que as histórias são incompreensíveis, que há entrevistas inverídicas esquisitas, que uma novela foi iniciada e abruptamente encerrada, que talvez os depoimentos dos famosos ao lado sejam distorcidos, e outras baboseiras.
Eu não estou dizendo que os textos deste blog são maravilhosos e que eles superam em muito Machado de Assis. Não posso dizer isso, até porque sou o autor e isso contribuiria muito para a fama de arrogante. Eu só diria isso se este blog fosse de outra pessoa.
A história dele não faz sentido, os textos são - assim falam os modernetes - nonsense, uma história esquisita se inicia no meio de outra que não é possível entender... E daí?
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Mais famosos com a letra B
É muito difícil lidar com famosos.
Você, meu leitor, imagine que selecionei ao acaso leitores com a letra B para serem publicados e coincidiu de todos serem famososAgora, outros famosos com a letra B reclamaram efusivamente! Ei-los:
Bruno Aleixo (Cidadão português)
Caro André. É pena que não tem atualizado seu blog. Assim não tenho do que falar mal. Atenciosamente, Bruno Aleixo.
Beakman (O maior cientista do mundo)
André, meu caro. Ultimamente tenho feito as experiências para passar o tempo, e já realizei todas. Será que você não poderia voltar a atualizar seu blog? Não aguento mais meu laboratório! Beakman
Beavis (Adolescente americano que faz dupla com Butthead)
Heh... hehehe... heh...
Espero que não seja mais preciso falar sobre esse assunto. Não sei vocês, mas eu não aguento mais.
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terça-feira, 15 de setembro de 2009
A prova
O bom leitor sabe que não gosto de comentar os comentários feitos neste blog.
Eu, por minha vez, sei que isso afasta muitas pessoas da leitura deste espaço. Internet é interatividade, dizem. Eu sei que é. Se milhões de pessoas comentam todos os dias, o que aconteceria se eu fosse uma pessoa interativa?!
Pois ontem recebi um sem número de comentários duvidando de minha modéstia e de minha honestidade. Os que me acham imodesto dizem que selecionei os exemplos de ontem (Bill Clinton, Bill Gates, Brüno, Bruno Gagliasso, Bob Marley, Baden Powel e Barack Obama) propositalmente, somente para que todos saibam que muitas celebridades entram aqui. Os que me chamam de mentiroso acham que não entra ninguém famoso aqui, e que na verdade essas pessoas sequer conhecem este blog.
Aos primeiros, posso comprovar minha integridade pelo alfabeto. Não sei se elas repararam, mas eu cheguei até a dizer que todos os selecionados para o exemplo têm nome que começa com a letra B. Há uma lista de gente que comenta aqui, e eu, ingenuamente, separei algumas pessoas à toa que têm o B como a primeira letra do nome. Agora olhando posso ver que algumas são realmente famosas. Muito me surpreendeu a cultura geral dos leitores. Eu não sabia que vocês conhecem Bill Gates.
Agora, aos que me chamam de mentiroso, escreverei aqui os comentários de cada uma dessas pessoas para lhes mostrar que eu só falo a verdade.
Bill Clinton (Ex-presidente estrangeiro)
Caro André. Quando é que seu blog voltará a nos proporcionar momentos aprazíveis de leitura e reflexão? Confesso que eu não aproveito as palavras que você diz somente enquanto as leio, mas também depois, porque passo o dia pensando nos seus textos. Você aceita pagamentos para escrever? Se quiser, peça a alguém, porque eu fiquei pobre depois que larguei a presidência de meu país. Um abraço efusivo e apertado, Bill Clinton.
Bill Gates (Humorista)
André Ursípedes. Você deve saber que eu encerrei as atividades na minha empresa há algum tempo. Assim que passei a ficar mais tempo em casa, a única razão de entretenimento de meu tempo é seu blog. Agora que você parou de atualizar, não posso me entregar a outra coisa senão ao tédio. Volte logo, por favor! Bill Gates
Brüno (Apresentador gay)
Eu vi que você entrevistou o Dostoievski. Você poderia, por favor, me passar o contato dele? Brüno.
Bruno Gagliasso (Ator)
André, eu tive uma ideia ótima. Como você deve saber, eu, Bruno Gagliasso, sou uma pessoa muito politizada e ativa. Se você escrevesse Fora Sarney no seu blog, ele certamente não resistiria a esta pressão e deixaria nosso senado. Caso você não saiba, ele é corrupto. Mas você parou de atualizar o blog... Bem, quando voltar, escreva fora Sarney, por favor. Bruno
Bob Marley (Intérprete, compositor, cantor e maconheiro)
My friend, você viu que escreveram um livro chamado Marley & eu? Mas não tem nada a ver comigo. Será que você não conseguiria escrever um livro com o mesmo nome, mas que retratasse a nossa relação de reggae e amizade? Pense nisso. Bob Marley
Baden Powel (Cantor e compositor)
Não sei como vim parar aqui.
Barack Obama (Atual presidente estrangeiro)
André, você deve ter reparado que a economia americana voltou a andar. Sabe por que isso aconteceu? Porque você parou de atualizar seu blog, e eu passei a dedicar a maior parte de meu tempo às atividades que meu emprego requer. Volte logo. Não aguento mais trabalhar. Abraço, Barack
Viram, agora? Cada um tem sua grafia inconfundível. O que falta é agora me acusarem de inventar também os comentários. Por favor.
Porém, o que quero lhes dizer é outra coisa. Eu não precisaria nunca atualizar este blog. Vocês podem e devem lê-lo no arquivo. Cada texto escrito aqui tem tamanha profundidade, que pode ser lido diversas vezes com gosto de novidade. A cada leitura, um detalhe novo e essencial é descoberto.
Abram os arquivos, seus preguiçosos.
O dono desta maravilha é
André Ursípedes
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Por que este blog não tem sido atualizado
Muitas pessoas, todos os dias, vêm perguntar por que este blog nunca mais foi atualizado.
Eu mesmo, numa terça-feira bandida, entrei neste blog e estava postando um comentário perguntando a mim mesmo por que tamanha ausência de atualização. Neste momento percebi a rara qualidade deste blog: ele é tão universal, que serve de leitura até para quem o escreve.
Listarei sete pessoas quaisquer, retidas ao acaso, que comentaram neste blog sentindo falta das atualizações:
Bill Clinton (Ex-presidente estrangeiro), Bill Gates (Humorista), Brüno (Apresentador gay), Bruno Gagliasso (Ator), Bob Marley (Intérprete, compositor, cantor e maconheiro), Baden Powel (Cantor e compositor) e Barack Obama (Atual presidente estrangeiro).
Como vocês podem ver, fui totalmente imparcial. Eu poderia ter selecionado, entre todos os comentários, gente famosa que aqui comentou só para escancarar o sucesso deste blog entre as celebridades. Porém, como sou modesto e acanhado, apanhei apenas alguns comentários de gente que comece com a letra B.
Bem, que o blog não tem sido atualizado, todos sabem. O que ninguém sabe é o motivo disso.
Preguiça.
O dono desta maravilha é
André Ursípedes
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Por que o Boteco Sujo deve virar livro?
Vou contar um segredo, portanto preste atenção: Este blog só existe e tem todo este sucesso graças ao Boteco Sujo.
Eu sempre quis ter um lugar onde pudesse escrever todas as minhas ideias, mas nunca encontrei um formato que me agradasse. Poderia fazer um jornal, mas seria uma obra muito dispendiosa. Poderia escrever um livro, mas as editoras nunca me convidaram. Pensei em blog, mas nunca gostei de blogs. Era uma coisa que, para mim, servia somente para escrever coisas chatas e ser lido por pessoas chatas. Eu nunca tinha passado pela experiência de ler um blog sem bocejar. Até ver o Boteco Sujo.
De saber que o Boteco Sujo existe a conhecê-lo realmente, passaram cinco horas. Porque soube dele no trabalho, e tive que fechar o Internet Explorer logo que o Boteco abriu: Havia fotos de mulheres nuas, e se algum colega visse, poderia me deixar constrangido. Depois, em casa, li pela primeira vez, e isso deve ter demorado uma duas horas. Caramba, eu pensei, o Fausto tem textos muito legais. Aquele blog era realmente singular. Não senti um segundo de tédio!
Daí me inspirei a escrever de vez o Eu não sou virgem, Maria!, porque o Boteco Sujo me ensinou que um blog pode, sim, ser maneiro. É por isso que no blog do Fausto tem um depoimento meu dizendo que este blog é filho bastardo do Boteco Sujo. Mas isto não responde a pergunta do título.
O Boteco Sujo deve virar um livro porque todas as boas leituras merecem um lugar melhor para ser lido do que em frente ao computador. Você imagine que aquelas pessoas que não têm notebook nunca tiveram o prazer de ler o Boteco no banheiro – o melhor lugar para uma leitura profícua. Por isso, para ser lido no banheiro, o Boteco deve virar livro.
O Boteco Sujo deve virar livro, porque tudo o que é feito em um blog tem o limite do tempo. Excelentes textos feitos há um ano não têm o menor destaque, simplesmente porque vieram outras postagens depois. Então a entrevista com a Monica Mattos, de 30 de Janeiro de 2008, ou a sensacional entrevista com o ator pornô especialista em sexo anal e é pastor, que ele publicou em 30 de outubro do ano passado, por exemplo, só são lidos no blog se o leitor tiver a sorte de achá-los no arquivo! É para os melhores textos serem lidos sem importar quando foram escritos, que o Boteco Sujo deve virar livro.
O Boteco Sujo deve virar livro, porque são poucos os livros que falam de quem não é levado a sério. As estrelas pornô, e outras pessoas que vivem de sacanagem, passam em branco numa livraria. Fora que o blog pode acabar um dia, ou o Google pode sofrer um ataque que faça com que todo o arquivo suma! E se nada disso acontecer, de qualquer forma é preciso acessar a internet para conhecer o Boteco. Porque no nosso país somente 40% das pessoas têm acesso à Internet e porque o blog pode acabar e ficar sem registros, que o Boteco Sujo deve virar livro.
O Boteco Sujo deve virar livro, porque blogs, hoje em dia, não têm muito status. As tias do Fausto não devem dar valor para o Boteco. As filhas dele devem perguntar todo dia por que o Paulo Coelho tem um livro, e ele, que escreve muito melhor, não tem. É para o Fausto ter uma autoridade ainda maior com as filhas e ganhar os melhores presentes das tias, que o Boteco Sujo deve virar livro.
O Boteco Sujo deve virar livro, porque blog não dá dinheiro. Ou melhor, porque o blog dele não pode dar dinheiro, por conta da temática. Tudo bem que ter um blog já é um exercício de generosidade. Ao fazer um blog, o blogueiro sabe que toda dedicação tem somente a leitura como retribuição. Mas seria justo que o Fausto fosse recompensado monetariamente por isso. É porque o Boteco existe há muito tempo e o Fausto nunca ganhou dinheiro com ele, que o Boteco deve virar livro – para o Fausto ganhar 10% do valor das vendas.
O Boteco Sujo deve virar livro, porque tem gente que não consegue acessar a internet. A minha mãe não sabe como faz para entrar em um blog, e nem sabe o que é isso. Veja você, por exemplo, que ela nunca entrou neste aqui – e olhe que sou o filho dela! É para a minha mãe poder ler os textos do Fausto, que o boteco Sujo deve virar livro.
O Boteco Sujo deve virar livro, porque percebo que todas as pessoas com que falo do Boteco Sujo, não acreditam que o Fausto é meu amigo. Elas lêem o blog, adoram, e duvidam que eu conheça o autor! É para eu poder esfregar na cara de todas elas a dedicatória do Fausto na primeira página, que o Boteco Sujo deve virar livro.
O Boteco Sujo deve virar livro antes que alguém escreva um livro com esse nome. Você imagina que quando o Boteco Sujo era ponto blogspot ponto com, teve um alemão que registrou o domínio Boteco Sujo ponto com. Então o Fausto teve que registrar o Boteco Sujo ponto net. Só meses depois, quando o alemão se distraiu, é que o blog pôde enfim virar ponto com. É para que nenhum alemão escreva antes o livro com o título de Boteco Sujo, que o Boteco Sujo deve virar livro logo.
Enfim, o Boteco deve virar livro simplesmente porque é um puta de um blog com uns putas de uns textos, que dariam um excelente livro!
Então, blogueiros, uni-vos. Na Internet, sempre o que eu critico nas eleições de blogs é que elas são sempre feitas pela popularidade. No Top Blog, por exemplo, somente os 100 blogs mais votados são lidos pelo júri. Então é preciso ser famoso para ser avaliado. No concurso que o Fausto está participando é o contrário. Dez blogs foram escolhidos, para depois serem votados. O que mais votos tiver, vira livro.
Eis outro motivo porque o Boteco Sujo deve virar livro: Porque eu quero e você quer. Pois entre em http://blogbooks.com.br/categorias/universomasculino/ e vote no Boteco Sujo, o blog do Fausto, para virar livro.
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André Ursípedes
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terça-feira, 25 de agosto de 2009
Deu, o singular de Deus;
era tarde de quinta-feira quando Deu, o singular de Deus, aprendeu a jogar xadrez. Para espantos de muitos, que viam nele a representação perfeita da burrice, o singular de Deus obteve grande sucesso. Chegou a jogar de igual para igual até contra idosos experientes da região.
Era cavalo morto para lá, rainha comida para cá! Os peões eram eliminados à exaustão! Mas havia uma falha no jogo de Deu: Ele jamais conseguia executar o adversário, aplicando-lhe um xeque-mate. Todas as partidas vencidas por Deu foram pela desistência alheia.
Muitos tentavam consolar nosso grande jogador. Diziam-lhe que não era preciso ganhar só do jeito clássico. Que vitória é vitória. Chegaram a falar que o que vale são os três pontos, embora o futebol não existisse à época! Mas ele era taxativo:
- Quero o xeque-mate!
Um dia, jogando contra uma criança prodígio, Deu a encurralou de tal forma, que o xeque-mate parecia inevitável. O rei encontrava-se acuado por cavalos, bispos e até uma torre! Porém a criança moveu o rei para lá, e ficaram todos decepcionadíssimos com o adiamento do grande feito.
Deu não teve dúvida. Disse, e não foi a meia voz:
- Xeque-mate! Aplico-lhe um xeque-mate pré-datado!
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Como popularizar um blog - parte 2
Antes que seja necessário responder perguntas, informo que a parte 1 deste post foi escrita pensando em ser absoluta e irrevogável. Ou seja. Naquela distante dois de setembro de 2008, quando ensinei o leitor a popularizar um blog, subestimei minha capacidade cognitiva e publicitária, e achei que jamais me brotaria na cabeça novas técnicas de popularização de um espaço na internet.
Pois é. Enganei-me. Quando surgiu em meu cérebro uma nova técnica, relutei em aceitá-la. Mas a apliquei em favorecimento de meu blog, e funcionaram veementemente. Penso que esta é a versão definitiva do virtual manual de popularização de um blog. Mas eu não me subestimarei novamente. Quem subestima uma vez é burro; quem subestima duas vezes, é otário (Anote este ditado para humilhar alguém). É por isso que temos agora o segundo bloco da popularização de um blog.
Cabe também dizer e ressaltar que esta é, como diz o nome e como já repeti algumas vezes, a segunda parte da popularização de um blog. Por isso, as primeiras técnicas não devem jamais ser abandonadas. Elas são complementares, nada mais.
Para popularizar um blog, aprenda que é necessária uma dose de desonestidade. Reconheço que é um dilema moral, mas pretendo lhe mostrar que valerá a pena enganar alguém se seu blog for de excelente qualidade. Menos que isso, o popularizador tornar-se-á um sujeito desonesto e desprezível.
Para isso, é preciso fazer várias contas de e-mails em provedores diferentes. Invente nomes, e, de preferência, sobrenomes convincentes e usuais. É preciso que quando alguém veja seu e-mail falso, jamais pense tratar-se de uma mentira - e um ótimo método para isso é utilizar nomes comuns. Porque, ao inventar coisas, costumamos ser criativos. Então alguém que inventasse um Roberto Silva jamais seria descoberto.
Com seus e-mails falsos (é bom anotar todos com as respectivas senhas), envie mensagens a blogueiros famosos recomendando seu blog como se fosse de um terceiro. Compreendeu a jogada? Se você fosse uma pessoa honesta, enviaria e-mails a blogueiros famosos pedindo para que eles lessem seu blog. Mas isto é ineficaz, uma vez que blogueiros famosos, pasmem, são altivos e adoram esnobar. Eles podem até ler seu blog e gostar dele, mas jamais admitiriam.
Quando uma mensagem vem de um terceiro, porém, o blogueiro famoso visitará seu blog ávido por novidades. E, caso tenha conteúdo interessante, nosso colega famoso indicará no blog dele.
Eu mesmo já fiz vários e-mails falsos para recomendações a outros blogueiros, mas foi só para testar! Quem conhece meu blog sabe do número de visitantes que comentam aos borbotões, todos os dias, neste espaço. Gostaria até que entrasse menos gente. Mas a fama é algo que não se pode controlar.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Toda a indústria farmacêutica contra mim
Na última terça-feira, calhou de ser neste blog que um comentário escancarasse toda a crise da indústria farmacêutica. O nome do comentarista não interessa - até por que não sei qual é -, mas o conteúdo era peremptório e irrefutável:
- O Eu não sou virgem, Maria! me curou da depressão.
Deve ser do conhecimento de todos os leitores que a indústria farmacêutica ainda não cura uma série infindável de doenças. O câncer, a aids, a gripe suína, a diabetes, o transtorno obsessivo compulsivo, a síndrome de tourette, a micose... Uma série de enfermidades que, fossem curadas, melhoraria deveras a vida de milhões, bilhões de pessoas. E qual a maior consequência disso? Uma queda brutal na venda de anti-depressivos.
Explicar-lhes-ei mais meticulosamente para que não sobre dúvidas de uma das maiores vergonhas mundiais.
Não se tem a cura das doenças citadas acima. E não pense que isso ocorre pela falta de sorte nas pesquisas realizadas pelo mundo. Não. Não há a cura dessas doenças simplesmente porque não se foi atrás delas! Imagine o que seria da humanidade sem suas maiores pragas? Uma humanidade feliz. Aí a certeza na queda da venda de anti-depressivos, remédios que sustentam as empresas farmacêuticas.
Droga-Raia, Farma-vida, Poupa-farma... todas faliriam com a cura das doenças.
- Por que, então, a indústria farmacêutica está contra o blog? – Você me pergunta.
Ah, sim! Já estava quase me esquecendo. Obrigado pelo leitor por se lembrar de me perguntar. O comentário citado no princípio neste texto é bem claro: Este blog está curando a depressão sem a ajuda de remédios! E não é por ser engraçado, porque não é. Eu desenvolvi uma linha de raciocínio, reafirmada todos os dias com posts convincentes, que cura o cérebro dos pensamentos depressivos. Não me peça para explicar, porque a explicação da cura seria o antídoto dela.
Por isso, a venda dos anti-depressivos já começou a baixar por todo o mundo. Sim, por todo o mundo, embora eu escreva em português. Não preciso ser traduzido porque a linguagem do amor é universal. Hoje, já posso dizer sem o menor temor de passar vergonha: Quanto mais o mundo descobre este blog, menos se vende remédios.
Daí os diretores das farmacêuticas multinacionais convocaram o Ministério Público brasileiro, e decidiram por processar a Record, que assim poderia unir-se à Globo sem ser vista, numa cruzada contra este blog. Porém, para desespero deles, os índices de audiência aumentam neste espaço dia sim, dia não.
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André Ursípedes
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Ah, se eu fosse o Ronald Rios!...
Este blog é costumeiramente acusado de ser muito fechado. "Ora", dizem, "se isto é um blog, é preciso interagir, indicar links! Afinal, isso é internet! O que não pode é ter um blog fechado em si mesmo!". E não é que têm razão?
Pois a partir de hoje - não sei com que frequência - farei versões de coisas da internet – goste delas ou não. Por exemplo. Quando for homenagear o Boteco Sujo, teremos reportagem de alguma sacanagem. Na hora de ser o Kibe Loco, plagiarei alguém.E hoje, exibirei aqui uma versão do "Com a palavra, Ronald Rios", do humorista Ronald Rios.
Foi muito difícil escrever este texto. A dificuldade de escrever coisas propositalmente engraçadas é grande. Porque tem que parecer que a intenção da graça não existe. Explico.
Veja "A praça é nossa". A intenção de graça é tão explícita, que se perde toda a graça. Agora, o "15 minutos" não tem uma intenção de graça tão explícita assim, por isso que é engraçado. Os filmes do Woody Allen, pelo menos para mim, têm uma graça com aparência totalmente casual – mas nós já aprendemos aqui que não cabe elogiar diretores de cinema sem ser perguntado.
Resolvi também fazer um texto do Ronald Rios, porque desde que vi há uns 3 anos aquele curta “Você devia jogar basquete”, pensei que o programa não era legal só porque o Ronald tem talento de representar. É legal principalmente porque o texto é bom e engraçado.
Vamos à homenagem.
(Música de abertura)
Gestantes & deficientes
Tem algumas coisas que complicam a vida de um ser humano. Ontem mesmo eu estava lá no ônibus, passei a catraca, e vejo todos os lugares cheios, menos dois: Reservados para deficientes físicos. Tudo bem que está lá escrito que quando não tem um deficiente, ou uma gestante. Opa, opa! “Gravidez não é doença”! (Corta)
Deixe-me retratar! Espaço reservado para gestantes, deficientes físicos, idosos e obesos. Obesidade é doença! (Risos) (Corta)
Ser idoso é uma doença? Porque a idade também mata! (Risos) (Corta)
Então eu estava no ônibus, e só tinham dois assentos livres, e justamente os dois que eram reservados para obesos, deficientes físicos, idosos e gestantes. Eu olhei bem, e tinha uma velhinha sentada num assento normal. Eu olhei para ela e disse: “Você sai daí, porque esse assento é reservado às pessoas normais”! (Risos) Mentira. Eu não falei isso, mas deveria. Os assentos normais deveriam vir com um adesivo também: “Reservado para pessoas que não sejam gestantes, obesas, idosas ou deficientes físicos”. (Risos) (Corta)
Fernandinho Beira-mar
Meu amigo. Vem cá. Eu tive problemas falando da Skol, uma empresa que vende uma droga lícita. Imagina o que pode acontecer comigo se eu falar do Fernandinho Beira-Mar?! (Risadas alucinadas)
Pokémon
Não entendo por que assistem Pokémon. Aliás, tem duas razões para alguém assistir Pokémon: Diversão e convulsão. O sujeito, o pré-adolescente, pode estar com vontade de se divertir e liga no Pokémon. Mas por que ele vê Pokémon, se aqueles bonecos japoneses coloridos não têm a menor graça e tem nomes homossexuais que podem comprometê-lo diante dos amigos?! Mas alguém pode querer ver Pokémon para ter convulsão. Mas olha aqui bem pra mim. Se você quer ter convulsão, colega, vá para algo mais pesado, prazeroso e objetivo! Claro, usa crack! Usa cocaína, usa heroína! Fora que, para ter uma convulsão, você vai passar menos tempo usando drogas do que vendo Pokémon!
CQC
CQC, cequecê: O humor inteligente. Alguém me explica de onde... De onde que tiraram que o CQC tem humor inteligente? A maior inteligência do CQC está na careca do Marcelo Tas. Mas careca, meu amigo, não é sinal de inteligência! Inteligente é quem tem cabelo. Nem que seja peruca! Se fosse assim, meu tio avô seria inteligente. E olha que ele erra as contas matemáticas mais simples, mais básicas... E se fosse assim, quer saber, quem faz quimiotera... OPA! (Risos ao fundo) (Corte)
Se estiver passando CQC e Pânico ao mesmo tempo, eu vejo Pânico sem peso na consciência. (Legenda: O Pânico passa aos domingos, e o CQC às segundas-feiras)
Carlos Drummond de Andrade
Havia uma pedra no meio do caminho. No meio do caminho, havia uma pedra. Havia, no meio da pedra, um caminho. No meio da pedra, havia um caminho. No caminho do meio, havia uma pedra. No caminho da pedra, havia um caminho... E DAÍ?! (Risadas histéricas)
Idosos
É... os idosos são um problema. (risos contidos na expectativa da piada) Sabe que eu nunca fico segurando a porta do elevador quando vem um velhinho? Cara, isso já aconteceu diversas vezes comigo, aí eu parei. Eu parei. Eu não sou peixe morto!... Você está com pressa, querendo entrar no elevador logo para subir, porque você quer fazer xixi. O elevador chega, e bem nessa hora, está entrando um velhinho no prédio. Então você fica lá, com a porta aberta, esperando o velhinho para subir junto. Espera um tempão, e o velhinho passa reto, desprezando a porta aberta do elevador! Claro que ele passa reto, os velhinhos gostam de morar nos andares menores! Sabe como é, ossos fracos, artrite, artrose... (Risos) (Corte)
Eles não gostam de subir muitos degraus. Hoje em dia tem o elevador, mas o hábito prevalece! E por que ele não avisa lá de longe, que você pode subir logo?! É porque velho não enxerga direito! (Risadas satisfeitas)
MSN no trabalho
Cara, não tem nada de errado entrar no MSN no trabalho. “Você vai produzir menos”... O que não se pode fazer é arrotar no trabalho. É... arrotar no trabalho não é legal.
Kumon
Kumon é um método de ensino inventado pelos japoneses. Meu primo fez Kumon. Meu tio avô não fez, mas deveria ter feito! O Kumon ensina tudo o que um ser humano precisa saber a partir de duas premissas básicas. O cu e a mon (levantando a mão direita na hora). (Risos, risos, risos)
Sexo casual
Hoje em dia tá na moda, né? Sexo casual. Maluco se sente mais feliz e realizado depois de fazer um sexo casual do que depois de um sexo não casual. Sabe o que eu quero ver? Uma menina – ou um menino – dizer que faz sexo anal casual! Ninguém encosta num cu à toa. (Risos) (Fim)
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Seção: Se eu fosse...
terça-feira, 18 de agosto de 2009
A Globo e a Record contra mim
Compreendo que vocês, meus leitores espalhados por todo o país e pelo mundo - se aqui incluirmos um masturbador português que todos os dias de madrugada entra por engano no blog procurando fotos da Virgem Maria nua -, não estejam compreendendo claramente o que está ocorrendo na mídia nacional. O Ministério Público acusa a Record de falcatruas, a Globo as noticia, e a Record, por sua vez, ataca a Globo. Mas o que isso significa? Explicar-lhes-ei tentando ser o mais breve possível, embora neste caso a brevidade não seja possível.
Desde o fim do mês de junho, quando entrevistei com exclusividade cada um dos integrantes do famoso grupo Os Beatles, a audiência deste blog disparou. Se antes entravam cerca de 70 pessoas por dia neste espaço, depois dos Beatles a média passou para 92, com picos de 103 nas quintas-feiras. Veja o grande acréscimo de leitores. Tudo bem, tudo bem. Compreendo que 22 leitores a mais por dia possa não significar muito para um olhar distraído e alienado de um leitor, mas compreenda que isto trata de um aumento de 31%.
A Microsoft comemoraria por anos se tivesse um aumento de 31% em suas vendas. A GM, além de comemorar, não pediria falência. O Twitter adoraria, embora isto significasse um aumento abusivo na queda dos servidores que sustentam o site.
E este acréscimo veemente para o blog significou uma proporcional queda na audiência da Globo e da Record, assim como um queda terrível aos cofres do Ministério público.
- Opa! - Diz o leitor.
Compreendo que esta parte seja pouco plausível ou compreensível. Mas posso explicar! Não abandone o texto, porque vou explicar com riqueza de detalhes! Você deve ter imaginado que o aumento da audiência do blog preocupou as emissoras de TV porque 22 pessoas por dia passaram a assistir a menor televisão por dia para acompanhar o blog. Mas se fosse somente isso, seria justo que você, leitor, pensasse qual seria o impacto de 22 pessoas num universo de milhões de telespectadores? Aqui vem o detalhe agravante: Por conta de um marketing direcionado e intensivo, as 22 pessoas diárias que passaram a frequentar este espaço pertencem à amostra do índice de audiência avaliado do Ibope!
Então, como numa distorção estatística, as duas principais emissoras de televisão do país acham que perderam milhões de telespectadores, quando só perderam 22 - são todas essas 22 pessoas que fazem parte da amostra que o Ibope faz seu acompanhamento. Mas e o Ministério Público?!
O Ministério Público perdeu muito dinheiro, porque parte das 22 pessoas que entram a mais todos os dias no blog, entram direto da sede do Ministério Público, e ficam agora lendo o blog enquanto deveriam trabalhar. Então o mais alto escalão do MP resolveu criar uma denúncia contra a Record para unir os dois canais contra este blog para que as duas emissoras se unissem disfarçadamente contra o maior pseudofenômeno da internet brasileira.
Agora, os principais executivos das duas empresas se reúnem todos os dias para armar estratégias contra o terrível aumento de audiência deste espaço. Mas como há a denúncia do Ministério Público contra a Record, ninguém acredita.
É por isso que este blog tem sido pouco atualizado. Custa tempo conversar todos os dias com os advogados. Além de dinheiro, mas como se sabe, dinheiro nunca me foi problema.
Agora meus caros leitores compreendem melhor o cenário político e televisivo do nosso país? Claro que sim.
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Funcionário do mês - Agosto

Quando me disseram que Deus escreve certo com linhas tortas, não acreditei. Pensei que não haveria por que escrever com linhas tortas, só para confundir o leitor. Além do mais, a partir do momento em que as linhas se entrelaçam, a leitura fica impossível. Pode-se dizer, até, que quem escrever com linhas tortas, não escreve certo. Compreende?
Mas esta minha impressão se revelou equivocava no momento em que recebi uma carta de Deus na manhã de hoje.
Uma vez alguém foi ao Japão e me disse que a tecnologia dos japoneses se revela nas pequenas coisas. Como na privada que eles usam todo dia, que limpa sozinha as fezes, aquece o acento, dá descarga assim que o sujeito se levanta! Pois Deus também é assim. Ele se revela perfeito nas pequenas coisas, como nesta carta. Logo no remetente se vê que a letra dele é bonita como uma letra cursiva, mas compreensível como se fosse à máquina. Graciosa como feminina, firme como masculina.
Ele me informou mais tarde que lambeu o envelope em duas partes: Onde iria o selo e para fechar a carta. Aí percebi que a saliva divina é a base da cola Pritt. Eu não me surpreenderia se, após uma árdua pesquisa, alguém concluísse que Pritt significasse saliva de Deus, ou saliva divina. Não é preciso fazer esforço algum para abrir a carta, mas é possível ter a certeza de que ela não abriria sozinha em algum incidente.
Desculpe-me por falar tanto sobre a aparência da carta e muito pouco sobre o conteúdo. Mas por que falar do conteúdo, se Deus é perfeito em suas observações, em seu raciocínio e em seus questionamentos? Ele é mais convincente que do o Padre Antonio Vieira num dia inspirado. Mais irrefutável que um argumento de Pitágoras. E mais popular que um discurso do Lula.
A escolha de Deus, não preciso dizer, foi deveras merecida. Vamos a ela.
"Olá, André,
Tudo bem?
Desculpe-me pela chuva de ontem no exato momento em que você saía do trabalho. Foi uma necessidade que surgiu no momento. Era para matar um mendigo afogado.
Você queria que eu falasse do funcionário do mês, não é? É o doutor Jairo Bouer.
Não posso justificar no momento, porque há outras coisas a fazer.
Grande abraço,
Deus - aquele em quem você pode confiar
Ps: Gostou do meu novo slogan?”
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André Ursípedes
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Seção: Funcionário do mês
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Sobre a gripe suína
Os leitores deste blog vem há muito cobrando uma atualização constante deste espaço. Ora, dizem, se o André posta todo dia, por que não posta há um mês? Será que ele pegou gripe suína?
Não, meu leitor. Fique tranquilo, pois este mal ainda não me acometeu. Assim como eu não pegar esta gripe é vantajoso para você, pois continuará lendo o melhor blog do mundo, é vantajoso para mim que você se livre dela, porque o melhor blog do mundo, acredite, precisa de leitores.
O maior equívoco dos autores que tratam do assunto da nova gripe é o de achar que é preciso higiene constante para se afastar dela. Eis o raciocínio deles: Como os porcos são sujos e têm a gripe, nós, humanos, não podemos cometer o mesmo erro e devemos nos limpar constantemente. Este é o típico erro daqueles que acham que devemos temer a gripe.
Amigo, se você não quer pegar a gripe suína, não pode temê-la. Ela é que tem que sentir medo de você.
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André Ursípedes
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quinta-feira, 23 de julho de 2009
Maluf & eu

Eram sete horas da noite quando o telefone tocou. Não, minto. Talvez seis. Ou foi ele que pediu para dizer que eram sete? Ah, lembrei! Ele falou para falar que era sete horas caso alguém perguntasse. Mas ninguém perguntou. Eu é que estou contando, então posso falar que eram seis horas da tarde.
- Fala, Paulo. Por que você me liga a essa hora?
- Não fala meu nome assim!
- Mas eu disse só Paulo. Tem um monte de Paulo. Acho que o senhor está com peso na consciência. Tem alguma coisa que queira me contar?
- Tem. Mas só pessoalmente!
- Mas você não disse que conversou com o homem da polícia federal que bloquearia seu telefone, que já está tudo resolvido?
- Mas pode ser que ele seja...
- Seja que nem você? Que conta coisas que não são exatamente verdadeiras?
Silêncio.
- Por via das dúvidas eu quero que você venha aqui ouvir. Eu preciso contar para alguém.
- Mas Paulo, eu estou com preguiça! Eu posso esperar uma semana, porque você sempre acaba contando para os jornais! Eles sempre descobrem!
- Você não está entendendo. Eu preciso desabafar! Quando os jornalistas vêm me questionar sobre o assunto, eu conto a verdade. Mas eu conto como se fosse mentira.
- Entendi. Tô indo praí!
Desligamos o telefone sem dar tchau.
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André Ursípedes
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Seção: Maluf e eu
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Encontro com os Beatles
O leitor deste blog deve estar se sentindo nos anos 60. Desde aquela década que não há uma overdose de Beatles como tem acontecido aqui nesta semana. Tudo bem que uma overdose de Beatles não é uma overdose qualquer. Mas graças a mim é a última entrevista com eles nesta semana, porém a mais especial. É a primeira vez que eles se reunirão desde aquele show no teto da gravadora no século passado.
Como era esperado, o trabalho de logística para reunir tanta gente importante foi imenso. Vôos fretados da Inglaterra para o Brasil e do Brasil para a Inglaterra não foram raros! E a parte do céu que cuida da burocracia de casos de ressurreição temporária há dois mil anos não tinha tanto trabalho.
Nada melhor do que o Preto and Branco Park para se sentirem todos à vontade. Os donos do local fecharam o Park para todos nós e capricharam no efeito de luz ultravioleta que retira as cores do ambiente. Como vocês podem ver nas fotos que vêm daqui a pouco, parece que estamos realmente em tons de cinza, como antigamente.
Marcamos para o horário da tarde, que seria melhor para todos e principalmente para mim, porque não gosto de acordar cedo nem de dormir à tarde.
Contrariando as expectativas de que quem é vivo sempre aparece, justamente George e John foram os primeiros a chegar.
- Quem te viu, quem te vê, hein rapaz? - se apressou em dizer George.
- Pois é! - disse John.
Os dois se olhavam esquisito e se estranhavam. Sem dar conta de minha presença, conversaram por minutos a fio sobre os segredos do submundo. George falou da saudade de fazer cocô, e John lamentou a saudade de Coca-Cola. Ou será que foi o contrário? O assunto terminou quando John comentou sobre um desodorante do submundo. George percebeu que era com ele e trocou logo de assunto.
De novo, como George Harrison fede. É absolutamente incrível o fedor deste defunto.
Paul e Ringo chegaram mais tarde. Ringo cumprimentou a todos, sempre muito sorridente. Paul fez que não viu o John, mas John fez questão de cumprimentá-lo. Eles ficaram cerca de três minutos balançando as mãos dadas, se encarando esquisito, até que ao final sorriram, sorriram e sorriram.
Enfim, o clima parecia perfeito para uma entrevista. Para não repetir o erro de ontem, quando interagi com Paul mas não registrei tudo devidamente, tomei logo o cuidado de tirarmos uma foto com antecedência. (A foto com ele é, infelizmente, uma montagem)
Não houve briga para quem quisesse ficar no centro. O desentendimento aconteceu para discutir quem ficaria ao meu lado da foto. George argumentou que sempre foi o mais injustiçado da banda, então deveria ficar ao meu lado direito. Ringo disse que se George ficaria ao meu lado direito, ele certamente era merecedor do meu lado esquerdo. Paul se antecipou em dizer que era meu Beatle preferido, então deveria ao menos sair na foto.
John só ficou olhando.
Para sair todo mundo, colocarmos a máquina no automático, mas não deu muito certo.
Então sobrou para John, o único sem argumento, para tirar a fotografia. Ficou ótima.
- Pronto – eu disse – agora podemos ir embora.
Os quatro me olharam com bastante espanto. Pareciam estar gostando daquele momento, e eu queria encerrar tão logo?
- Vocês podem ficar aí. Eu só queria a foto.
Fui embora muito contente. Afinal, não é todo mundo que tem uma foto com os Beatles tirada pelo John Lennon.
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André Ursípedes
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Entrevista com Sãr Paul Mccartney
Hoje é dia de Paul Mccartney. E quase que ela não sai.
Leitor de blog é muito ingênuo. Se ele doasse milhares de reais ao invés de postar milhões de comentários, os posts sairiam com frequência muito maior! Ao invés de entrevistar os Beatles uma vez por ano, poderia entrevistá-los uma vez por semana, se o doador assim quisesse.
- E os Rolling Stones? Eu prefiro os Rolling Stones, ao invés dos Beatles.
Os Rolling Stones, também. Embora isso não tenha nenhum impacto, porque hoje qualquer um entrevista o Mick Jagger e aquele bêbado cujo nome é Keith Richards, a entrevista poderia acontecer. A partir do momento em que entra capital, eu não preciso mais fazer somente coisas de que eu goste. Mas esta é uma entrevista com Paul Mccartney, o sãr.
Posso confessar que esta é a primeira vez que fico nervoso antes de uma entrevista. Nem quando entrevistei Ayrton Senna depois de morto fiquei tão nervoso assim. Talvez seja porque eu tenha compaixão com pessoas de cabeça grande. E talvez seja também porque o Senna é um tédio. Mas você, leitor, deve notar que a surpresa maior não é meu nervosismo diante de Paul; o que estranha é eu admitir que fiquei nervoso.
Passo horas e dias tentando mostrar-me superior diante de tudo, e agora quase ponho tudo a perder. Isso é estranho?
Analisando o fato sem o seu contexto, sim. Aliás, se alguém leu este texto até o parágrafo anterior, pensará para sempre que a empáfia era de mentirinha. Mas diante de alguém que tem todos os motivos para a soberba - sucesso gigantesco, sendo que ele é justamente proporcional ao talento - e é extremamente carismático e simpático, minha altivez cai por terra!
Então, se você não conhece pessoalmente Paul, saiba que ele é, antes de tudo, um simpático. Chega até a ser bobo, de tão agradável e aprazível. Como se as bilhões de pessoas que gostam dele não bastassem, ele faz de tudo para agradar o interlocutor e conquistar mais um fã. Aliás, para conquistar o fã, ele é capaz de tratar a pessoa como ídolo. Compreende?
Para se ter uma idéia, no ato de contatá-lo para a entrevista, foi ele quem falou que poderia entrevistá-lo antes mesmo de eu dizer. Cacilda. E ele ainda disse que viria à minha casa, se precisasse.
- Precisa, sim! Venha amanhã às quatro e vinte da tarde, por favor! Abraço, outro. Tchau!
Paul apareceu muito bem vestido na hora exata. O rosto dele é realmente muito simpático. Este moço está sempre rindo!
- André! Trouxe-lhe vinhos!
Contei que não gosto de vinhos.
- Mas eu trouxe Coca, também! Você gosta de Coca?
É claro que sim. Dei-lhe logo um abraço para deixar de ser bobo.
- Quer uma massagem? Quer, né? É claro que quer.
Paul me fez massagem e fiquei mais relaxado – embora ele não tenha técnica muito apurada. Enquanto apertava minhas costas, cantarolou músicas como Hey Jude, My Michelle e Ana Júlia.
- Epa! Por que todo Beatle canta Ana Júlia?
Ele parou um pouquinho a massagem, para depois dizer:
- Foi o George que me ensinou uma vez. Nunca mais me esqueci. O John também cantarola Ana Júlia?
- Não reparei.
A massagem continuou até o momento em que minhas costas começaram a arder.
- Trouxe uns bifes, para fazer à milanesa para você! Quer? – disse Paul.
É claro que eu queria. Claro que sim.
- Então deita um pouco aí, relaxa, que eu já trago tudo prontinho.
Eu estava quase cochilando, quando Paul perguntou, constrangido:
- Onde tem farinha de rosca?
Falei que era na terceira gaveta do armário, e ele bateu as mãos na testa. Parecia que este era o único lugar que ele não procurou.
Bifinho pronto, ele trouxe numa bandeja três bifes e um copo de Coca muito gelada. Me acordou de mancinho, para não atrapalhar meu cochilo.
- André? Acorda, meu chapa. Acorda, que depois o bife esfria e a Coca esquenta e perde o gás.
Acordei, comi os bifes, tomei a Coca, e ele foi embora com a missão cumprida.
Rapaz! E a entrevista?? Quando percebi, Sãr Paul Mccartney já tinha dobrado a esquina.
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André Ursípedes
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quarta-feira, 17 de junho de 2009
Entrevista com George Harrison

No dia de hoje acordei com a imensa alegria de um dia de folga. "Ufa!", pensei, "Ainda bem que hoje não terei que entrevistar nenhum Beatle!". Espreguicei-me com todas as forças, tomei meu achocolatado com calma, e li, tim tim por tim tim, todas as notícias do Palmeiras, o time de meu coração. A campainha tocou.
Imóvel, comecei a maldizer o mundo. "Por que alguém vem me procurar num dia de folga?!", pensei. "Por quê, meu Deus? Por quê?"! O sujeito tocou novamente, mas dessa vez disse:
- André, eu sei que você está aí tomando seu café da manhã!
Era uma voz conhecida. Uma voz que já tinha atingido meus ouvidos em alguns discos dos anos 60. Uma voz inglesa, uma voz defunta! Cacilda, era George Harrison vindo me visitar!
Não havia outra coisa a fazer, senão abrir a porta. Havia me esquecido que hoje era dia de entrevistar o Harrison. Já não gosto de entrevistar pessoas importantes. Entrevistar defuntos importantes é coisa pior ainda! Se eu não fizer alguma pergunta importante, sei que milhões de beatlemaníacos reclamarão. Se eu for um pouco rude, outros também farão comentários mal humorados neste espaço.
- Olá, André!
- Olá, George! Desculpe. Acho que esqueci a geladeira aberta. E deve ter alguma panela de feijão aberta há mais de sete dias. Meu Deus, que cheiro horrível!
O cheiro era de George.
Depois de alguns anos apodrecendo em um caixão, algumas pessoas vão adquirindo um cheiro não muito agradável. Desculpe a insistência, mas lembra muito feijão esquecido na geladeira.
Parece que ele não estava com muita vontade de dar entrevistas:
- Como é que é? Não se respeita mais os mortos? Além de lidar com vermes, agora temos que nos relacionar com repórteres?
- Eu não o obriguei a dar entrevista. Aliás, nem tinha muita vontade de entrevistá-lo. Estou ansioso é para entrevistar Paul. Ele é muito cabeçudo.
- Se não foi você, então quem foi?
- Deve ter sido Deus. Dizem que ele ficou com muita vontade de ver como você se sairia depois de ver a do John Lennon. Ele adorou a do John!
- Hum... Compreendo.
Ele olhou a minha geladeira e deu outro sorriso. Foi até ela e a abriu prontamente.
- Coca-Cola! Eu quero, eu quero!
- Pode pegar.
Ele tomou os dois litros direto da garrafa, numa golada única. Antes que fosse possível arrotar, olhou-me pedindo outra.
- Só tem quente.
- Pode ser, pode ser!
Fui buscar na área de serviços e, pombas, não tinha!
- George, não tem!
Ele me olhou bravo, raivoso, puto como um super star que não teve seu desejo atendido.
- Mas eu posso lhe fazer uma limonada suíça divina! Quer?
- Não! Eu quero Coca! Não quero suco. Coca! É Coca que eu quero.
- Coca não tem. E você ainda tem que dar a entrevista.
O tédio era evidente. Não se sabe como o encontro de uma pessoa tão genial como eu com uma pessoa tão famosa e criativa como George poderia cair nesse tédio todo. Ele começou a cantarolar Ana Julia.
- O que é aquele martelo com aquele prego ali?
- Sei lá. Deixei ali sem querer.
Enquanto eu estava sentado, ele não teve dúvida. Martelou os pregos na minha cabeça.
Com uma imensa dor de cabeça, levantei bruscamente, e ele quase furou meu olho com um dos pregos!
- Vamos logo à entrevista, que você está me irritando!
- Ok, ok.
Eu: Como é morrer depois de ter feito tanto sucesso?
George Harrison: Morrer não tem segredo. É como dormir, só que pra sempre. Aliás, é como dormir com mosquitos pela noite inteira. Só que no lugar dos mosquitos, tem vermes.
Eu: Se você pudesse escolher entre morrer e estar vivo, o que preferiria?
George Harrison: Estar vivo, com certeza. Na vida, tem Coca-Cola. Aliás, está me dando uma vontade absurda de fazer cocô.
George correu para o banheiro sem que eu lhe dissesse onde ficava. Engraçado, que a necessidade fecal nos porta de uma bússola instintiva - em que o norte é o banheiro. Fiquei ao lado da porta, primeiro para saber como é que um Beatle defecava. Depois, para saber como um morto fazia cocô!
Posso dizer que o cheiro é o mesmo. Se não o mesmo, um pouco mais adocicado. A cada pum que ele soltava, o cheiro melhorava. Parece que os mortos realmente tôm dentro a melhor parte.
Ele não deu descarga e saiu sem lavar as mãos, o que me pegou inteiramente de surpresa. Fiquei um pouco preocupado ao pensar se ele usou ou não papel higiênico.
Sei que isso não pode ser de seu interesse. Sei que o que um Beatle pensa é importante porque isso só ocorre com um beatle, e que cocô dele não é importante porque todo mundo faz. Se não quiser saber mais sobre o tema, faça o favor de pular algumas linhas.
Acontece que olhei a privada algumas horas depois e não havia nada lá, a não ser uma marca de cocô no fundo da privada, que pode ter sido provocada por qualquer outra pessoa. Eu não a fiz, porque isso nunca me aconteceu, mas eu não moro sozinho, e não posso responder pelas outras pessoas da minha casa.
Eu: Como é fazer cocô depois de tantos anos?
George Harrison: É tão bom quanto tomar Coca depois de tantos anos, como arrotar, soltar pum e suar depois de tantos anos. Me diga com sinceridade. Eu estou fedendo?
Eu: Está, sim.
George Harrison: Era exatamente o que eu desconfiava. Você se importaria se eu fosse embora agora?
Eu: Nem um pouco. Sexta-feira a gente se vê no encontro com os outros Beatles.
George Harrison: Ok. Até lá!
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André Ursípedes
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terça-feira, 16 de junho de 2009
Entrevista com Ringo Starr

Foi difícil acordar cedo nesta terça-feira para entrevistar o grande baterista Ringo Starr. Não que ele não seja um grande sujeito. Muito menos que não tenha um papo agradável. Acontece que fui dormir tarde ontem, e quando marcamos nosso encontro, o inglês foi bem claro:
- Encontre-me às oito. Ouviu? Oito. Eu não disse sete, nem nove. Eu disse oito. Espero que tenha ouvido corretamente.
Ele não precisava ter sido tão enfático para que eu chegasse no horário. Para quem não sabe, sou uma pessoa muito pontual. Há quem pense que a pontualidade é uma grande demonstração de respeito. E até é, um pouco. Mas, para mim, pontualidade significa a hora mínima para que o encontro termine o mais rápido possível. Assim. Se eu chegasse à entrevista com o Ringo às oito e quinze, por exemplo, eu me livraria dele quinze minutos mais tarde. Então fui pontual para que a entrevista terminasse mais cedo do que se não o fosse.
Cheguei à casa dele às sete e cinquenta e oito, porque pontualidade exige planejamento e antecedência. É impossível ser sempre pontual se baseando no horário da chegada. É preciso ter sempre como meta chegar ao local desejado uns quinze, vinte minutos antes. Porque possivelmente haverá alguma coisa que o atrase quinze, vinte minutos. Isso falha quando há um grande problema que o atrase por muito tempo. Aí não há remédio possível.
Dim, dom.
- Who is it?
- Em português, please.
- Quem é?
- Sou eu, Ringo. O André, do blog Eu não sou virgem, Maria!.
- Ó! Pode entrar, rapaz. Vem entrando, por favor!
Ringo abriu-me o portão, e fui caminhando pelo longo jardim de sua residência muito rica. Depois de passar por sete árvores, dezessete bromélias, quatro poodles, seis pastores alemães, sete empregados, quatro faxineiras e dois urubus, encontro com o sorridente Beatle segurando a porta aberta para mim.
- Olá, grande amigo! - me diz ele.
- Olá, meu chapa! Olá!
Cumprimentamos-nos efusivamente. O abraço demorou mais do que seria agradável, e a barba dele arranhou minha bochecha. Vi que uma garrafa de dois litros de Coca-Cola me esperava, gelada.
- Ringo. Com grande pesar, sou obrigado a recusar esta Coca-Cola. Não suporto refrigerante antes do meio-dia.
Ele levantou os ombros, como se não se importasse.
- Vamos às perguntas?
- Sim, sim. - disse Ringo em sua humildade avassaladora.
Outro dia alguém me perguntou o que seria dos Beatles, se Ringo e George Harrison também fossem gênios. Eu não respondi nada, mas se me refizessem a pergunta no dia de hoje, eu diria que os Beatles seriam um grande fracasso. Numa grande banda, é preciso que a genialidade seja bem centralizada, e haja gente que faça coisas bem simples, para não atrapalhar. Ringo e George não atrapalham divinamente.
Eu: Tudo bem, amigo?
Ringo Starr: Tudo.
Eu: De onde vem seu apelido?
Ringo Starr: Não sei se você sabe, mas meu nome é Richard. Mas sempre usei muitos anéis. Então me apelidaram Ringo, porque em inglês, anel é ring.
Eu: Entendo. Tem alguma coisa que você gostaria de dizer?
Ringo Starr: Acho que não.
Eu: O que é isso ali em cima?
Ringo Starr: Um grammy. Quer?
Eu: Você está falando sério?
Ringo Starr: Claro, pode pegar. É teu.
Eu: Então podemos encerrar a entrevista. O que você acha?
Ringo Starr: Eu simplesmente adoraria.
Foi assim que a entrevista de hoje terminou. Ringo ficou aliviado por não ter que falar muito, e eu fiquei descansado por não precisar entrevistar muito. Terça-feira é para profissionais.
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segunda-feira, 15 de junho de 2009
Entrevista com John Lennon

John Lennon recebeu me de braços abertos: ele espreguiçava. Finalmente, depois de tantos anos, ele podia andar tranquilamente pelas ruas de Liverpool. Muitas pessoas olhavam esquisito ao nosso rock star, mas tinham a certeza de que era um sósia. Um sósia perfeito, mas um sósia. Se eu fosse um pouco maldoso, diria que ele sentia um pouco de falta do reconhecimento do público, mas talvez isto não seja preciso. Aquilo denotava mais estranhamento do que falta.
- Como vai, meu amigo John? - pergunto por trás.
Ele se assustou gravemente e me olhou assustado por uns dois, três segundos. É difícil de se habituar com a vida na Terra. Depois desses segundos, deu-me um abraço ainda sem denotar nenhuma expressão. Demos tapas fortes nas costas, e ele me disse o seguinte:
- Rapaz, lendo seu blog, eu pensei que você não existisse!
Ao que eu respondo:
- E eu, que pensei que você estivesse morto?
John:
- Morto eu estou, mas não é por isso que vou deixar de viver. A vida parece ser o contrário da morte, mas não é. Vida é uma coisa, morte é outra. Viu esse filme do Godard?
É claro que não vamos falar de cinema. Quanto mais de Godard. Se eu quisesse falar de Godard, entrevistaria o próprio. Tanta coisa para falar com o defunto, e vou desperdiçar o tempo falando sobre um cineasta francês?! John interrompeu este meu pensamento:
- Veja só como são as coisas. Faz mais de vinte anos que não vejo minha esposa Yoko, e faz cinco minutos que não fico pelado. E não é que a saudade que eu sinto por estas coisas é a mesma?
- Então você quer ficar pelado?
- Quero, sim. De preferência, com a Yoko.
Fomos a pé até a casa onde Yoko mora. John se mostrava incrivelmente desconfortável com aquelas roupas. Tudo bem que quando a gente morre, não veste mais nada. Mas tem tanta coisa para se preocupar com a vida na Terra, e o que lhe afligia eram as roupas.
Tocamos a campainha.
- Quem é? - diz Yoko, olhando pelo olho mágico horizontal, especialmente planejado para pessoas orientais.
- Sou eu, meu amor! - John.
Ouve-se baixinho, porque a porta abafa:
- Puta que pariu. Mais um sósia.
E ela abre a porta, com disposição somente para tirar uma fotografia.
John vai até ela, a abraça, e parece que Yoko se sentiu realmente comovida, mas nunca convencida. John fechou a porta com força e foi logo tirando a roupa.
Você tinha que ver a reação de Yoko. Ela abriu a boca estupefata. Um jornalista diria que ficou impressionada pelo tamanho do pênis de John, que é realmente grande. Mas o que a impressionou foi a incrível semelhança com o original.
- É igualzinho! Idêntico! Os sósias estão ficando cada vez mais parecidos.
Pensando depois nesta história toda, o que me vem à cabeça é a dúvida: Por que John não disse que era de fato ele mesmo? Por que ele não disse: "Sou eu, meu amor! Sou eu!"?
Vamos à entrevista, que eu acho que é o que interessa.
Note que John respondeu a todas as perguntas sem uma vestimenta sequer, e isso me causou um certo constrangimento em algumas perguntas.
Eu: John, conte um pouco de sua vida extra-terrestre.
John Lennon: A vida extra-terrestre é muito boa. Eu, se fosse um governante atual, investiria uma quantia considerável na busca de povos de outros planetas. Há muita coisa gostosa fora daqui. Há de se considerar que sou um privilegiado. Todas as portas me estão abertas. Eu posso entrar no céu de Jesus, porque tive muitos fãs católicos que rezaram por mim. Tenho também passe livre no Paraíso de Alá - parece que os shakes adoravam minhas canções. Então é aquela coisa, eu te dou a visão positiva da vida extra-terrestre, que, para mim, é inegavelmente boa.
Eu: Melhor que a terrestre?
John Lennon: Não sei se melhor ou pior. É diferente. Tem várias coisas que têm na Terra e não têm lá, e que fazem falta. Por exemplo, lá a gente não faz cocô. Me diga você: Tem alguma coisa melhor do que fazer cocô? Eu tenho as setenta e duas virgens, conheço os anjos, essa coisa toda. Mas às vezes dá vontade de fazer cocô e ele não vem, porque não tem cocô fora da Terra.
Eu: Do que mais você sente falta daqui da Terra?
John Lennon: Coca-Cola, chocolate, show lotado, futebol, andar de avião, fazer sexo pelado, ser reconhecido por milhões de fãs, ver TV, comer cachorro quente, piada de mau gosto...
Eu: Entendo. Por que você não dá entrevista desde o ano de 1980?
John Lennon: Não dou entrevista porque ninguém me procurou. Todo mundo lamenta, quer saber qual seria a minha opinião sobre algumas coisas. E é só pedir! Como você fez. Pedir para Deus, que ele é o único que pode me liberar. As coisas são muito injustas. Eu vivi quarenta anos e vou existir por toda a eternidade. Mas só o que eu fiz e falei nesses quarenta anos é que as pessoas vão saber. O resto, parece que não existe!
Eu: Vamos falar um pouco de música. Você tem composto ultimamente?
John Lennon: Tenho, sim. Antes de vir para cá, por exemplo, tentei gravar o hino do seu blog. Mas as rimas são muito difíceis e me foi impossível. Você tem certeza de que a pessoa que o compôs pensou na musicalidade da coisa?
Eu: Não pensei, não. E eu não pedi para você gravar. Está certo que seria incrível se você gravasse. Mas não gravou. Fora isso, não tem composto mais nada?
John Lennon: Tenho, sim. Mas lá não tem violão e gravador. Então fica aquela coisa na cabeça. Tudo o que eu componho dura o tempo da memória. Ou o tempo da inspiração. São coisas muito curtas.
Eu: Diga um livro que mudou a sua vida.
John Lennon: O apanhador no campo de centeio.
Eu: Um homem que mudou a sua vida.
John Lennon: Mark David Shapman.
John olhou para o relógio e percebeu que só tinha mais cinco minutos aqui na Terra.
- Tenho que ir, meu chapa.
Posamos para a foto. Acho que ficou para a história.
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André Ursípedes
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terça-feira, 9 de junho de 2009
Aviso importante sobre a entrevista com os Beatles
O leitor deve ter reparado que nesta semana este blog não foi atualizado sequer uma vez. E à exceção deste post, não será atualizado nenhuma outra.
- É por preguiça, seu preguiçoso?
Poderia até ser, e eu acho que seria um motivo digno. Mas desta vez, não. Nesta semana o blog não será mais atualizado porque este criador está preparando, para a semana que vem, uma série de entrevista com a maior banda de rock de todos os tempos: Os Beatles.
Começaremos na segunda-feira, com John Lennon. Ele foi morto em 1980, mas isto não foi obstáculo para uma entrevista em Londres. Deus, um colaborador convicto deste espaço, disse que conseguiu convencer o astro inglês a falar com exclusividade a este blog depois de muito esforço. Mas como não sou bobo, percebi que foi John quem teve que convencer Deus. Ele será o primeiro entrevistado para que se quebre logo com esta expectativa, e o leitor possa prestar atenção integral aos outros entrevistados.
No dia seguinte, terça-feira, Ringo Starr conversará comigo também em Londres. Escolhi terça-feira que é um dia qualquer e, francamente, ninguém tem muita vontade de ler uma entrevista com o Ringo. Se eu fosse um simples leitor, leria correndo, sem muito apreço.
Quarta-feira, outro defunto: George Harrison. Deus não queria deixá-lo falar comigo. Ele teve que convencer Deus sob o argumento de que se John pôde falar, por que ele não poderia? Deus coçou a cabeça e foi obrigado a concordar, resignado. Esta seria uma entrevista como a do Ringo. Mas George é um defunto, e sempre que um defunto fala, um vivo presta atenção.
Quinta-feira falo com Paul McCartney, o mais cabeçudo dos quatro. Ele preferiu que nosso encontro fosse na Escócia, em um pub esquisito.
A grande entrevista, porém, será na sexta-feira. Este será o dia em que, depois de quarenta anos, os Beatles se reunirão novamente. Acho que eles não cantarão nenhuma música, embora tenham pedido que a produção do blog lhes reserve uma bateria, um baixo, duas guitarras e microfones à vontade.
O leitor deve pensar que estou muito nervoso pelas entrevistas da semana que vem. Eu até estaria, se gostasse tanto desta banda quanto ela gosta de mim. Mas não. Nervoso eu ficaria se fosse entrevistar o Valdívia, ou o Edmundo. Ou se pudesse ver meu finado cão Cafu mais uma vez.
Mas são só os Beatles.
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André Ursípedes
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Seção: Institucional
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Deu, o singular de Deus x Deus, o plural de Deu – 5º round
- Voltamos com o quinto round deste grande espetáculo. Deu, o singular de Deus enfrentou até aqui Deus, o plural de Deu. Mas é com pesar que informo à minha distinta platéia que Deu abandonou o recinto, alegando ter ganho o debate por barbada!
Deus interrompeu:
- Mas agora eu é que ganhei de WO.
- Bem, - respondi - isto não estava previsto no regulamento. Mas quando o Senhor disse que torce para a seleção brasileira, quase abandonei o recinto.
Deus ficou avermelhado.
- Mas não se importe. Neste bloco, há uma grande chance de redenção. Vamos lhe fazer perguntas que vêm de todos os lugares. Do Oceano Pacífico ao Oceano Atlântico, do Oceano Pacífico ao Guarujá, a pérola do Atlântico! Vamos à primeira. Ela vem de Cascavel, Paraná. Deus, até quando a menstruação continuará a ser um privilégio feminino?
Deus desembaralhou seu calhamaço de papéis com atenção e a resposta não foi outra, senão essa:
- Muitas mulheres reclamam da menstruação. Eu também não gostaria de menstruar. Uma vez testei a menstruação em mim mesmo, e tive que fazer a Guerra dos 100 anos para prover tanto sangue que saía de minhas genitais. Não deu certo. O órgão genital feminino favorece deveras a circulação de sangue. E o cheiro atrai os homens. Se as mulheres não menstruassem, creio que a homossexualidade aumentaria profundamente no mundo. Nada contra os homossexuais como eu e Deu já frisamos aqui. Acontece que as mulheres também merecem fazer sexo com um pênis. Então é uma escolha. Ou se menstrua e faz sexo com pênis, ou não se menstrua e se utilizem de borrachas.
A platéia não esperava tamanha franqueza de Deus. É a primeira vez na história que se ouve um líder religioso citando, mesmo que indiretamente, vibradores e variantes de pênis de borracha. Esta era a pergunta seguinte:
- Essa é de Pirinópolis, o estado me foge agora. Porque o senhor da guerra não gosta de crianças?
- Ah, muito obrigado, habitante de Pirinópolis. Rapaz, eu também não sei onde fica essa cidade. Desde que um grande autor de auto-ajuda escreveu uma música dizendo que o senhor da guerra não gosta de crianças, tenho recebido muitos e-mails questionando este fato. Acontece que tive muito trabalho para fazer com que o senhor da guerra não gostasse de crianças. Imagine! Ele já faz guerra, se gostasse de crianças, seria um pedófilo bélico! Cruzes!
Trovão.
- A pergunta seguinte vem de Piraporinha do Norte, cujo estado não quis ser citado. Se o senhor está em todos os lugares ao mesmo tempo, então quer dizer que há a possibilidade de estar encostando na gente enquanto urina?
- A pergunta desta pessoa é muito boa. Mas a resposta é curta: Eu não estou em todos os lugares ao mesmo tempo. O que há são meus representantes que adquiriram a franquia divina em todos os lugares do mundo.
- Esta pergunta vem de Guarujá, São Paulo. O Senhor realmente torce para a seleção brasileira?
- Torço, sim, por quê? - respondeu Deus, enfezadinho. - É a terceira vez que meu gosto futebolístico é aqui questionado. Torço para a seleção brasileira porque, como todos sabem, Deus é brasileiro.
Entendo.
- Deus, agora me diga. Qual é o melhor blog do mundo?
- O melhor blog do mundo é o Eu não sou virgem, Maria! E posso anunciar que ele será o blog oficial da Copa do Mundo de 2014!
- Muito obrigado, muito obrigado. Bem, senhores, vejo que nuvens se aproximam. É dada a hora de irmos embora. Espero que este debate tenha sido elucidador! Tenham todos uma boa noite.
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André Ursípedes
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Seção: DEU - o singular de deus
Deu, o singular de Deus x Deus, o plural de Deu – 4º intervalo
Chegamos ao último intervalo do grande duelo, e nele tivemos uma grande surpresa. Deu, o singular de Deus, apertou o cinto e informou que ia embora.
- Para nunca mais voltar! - frisou.
Ele argumentou que estava muito cansado, e que já havia ganho o debate quando Deus disse que torce para a seleção brasileira.
- Quem torce para a seleção brasileira ou é afeminado ou mentiroso. Nada contra os afeminados. É que Deus é mentiroso mesmo. E nada contra Deus, mas ele é mentiroso, sim. Fora isso, tenho que encontrar um peixe fora d´água que está a me esperar lá em casa.
Foi uma boa razão. Pena que o debate se transformou em um monólogo. Tudo bem, um monólogo com um cara tão plural é quase uma reunião!
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André Ursípedes
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Seção: DEU - o singular de deus
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Deu, o singular de Deus x Deus, o plural de Deu – 4º round
- Estamos chegando ao quarto e penúltimo bloco de uma conversa sem precedentes na história da humanidade. De um lado, o grande fanfarrão Deu, com seu um metro e sessenta mal distribuídos. Do outro, Deus, com seus bilhões de quilômetros divinamente arredondados. Para quem não sabia e está ligou a televisão agora, Deus é gordo!
Neste instante, Deus pede a palavra:
- Por favor, André. Por favor. Eu gostaria de fazer um anúncio!
- Opa! Vai entrar para a Bíblia?
- Creio que sim. A correção bibliográfica sai no ano que vem, num acordo entre todos os povos. Mas não é este o anúncio. Eu quero dizer que um dos pecados capitais não mais existirá.
- Oba! - eu disse - Agora já posso sentir inveja sem culpa?!
- Não! Inveja é feio, inveja é crime, inveja é foda. Você pode continuar sentindo inveja, só não pode senti-la sem culpa. Quero anunciar que a gula não é mais um pecado capital! Podem comer à vontade. Inventei este pecado porque faltava comida. Hoje não falta mais. Hoje não pode é jogar comida fora. Mesmo que para isso seja preciso ser guloso!
- Então agora são seis pecados capitais? - perguntou Deu, que já se sentia um pouco excluído do debate.
- Não, não! Continuam sete. Como a gula era o primeiro, são sete, começando do segundo, mas o primeiro fica vago. Preciso pensar em outro. - disse Deus extremamente sereno.
- Eu tenho uma sugestão para o primeiro pecado capital. - gritou Deu, com seu microfone falhando - Para mim, o novo pecado capital deve ser a extroversão! Viva os tímidos!
- Taí uma boa idéia, disse Deus coçando a barba. Pode ser esse, Deu? Mas você não vai querer cobrar os direitos autorais, né?
- Conversaremos depois sobre isso. - falou Deu, agora com o microfone restabelecido.
Os dois estavam saidinhos demais. Era preciso continuar com o roteiro do programa. Desse jeito, eles se reuniriam. Um seria líder, o outro suplente, e a humanidade seria entregue a um monopólio. Chamei meu primeiro convidado da noite.
- Liguem os holofotes, porque aí vem Roberto Justus!
Deus fez cara de espanto, enquanto Deu não escondeu o nojo.
- O que é isso? Vocês não querem o Roberto Justus?
Ambos fizeram que não com a cabeça.
- Então pode ir embora, Roberto! - eu disse com meu melhor sorriso. - É preciso começarmos as perguntas de teste de empresas, porque muitos psicólogos e empresários estão assistindo a este duelo, e não saberiam decidir sem estas perguntas. Vamos começar. Deu, qual foi o último livro que você leu?
- A Bíblia, para estudar meu adversário.
Deus:
- Eu li "Quem mexeu no meu queijo?", porque estavam invadindo a fábricas de queijo na Suíça. Mas não ajudou muito, não.
- Se você pudesse mudar uma coisa no mundo, qual seria? Deus.
- Eu posso mudar o que eu quiser no mundo.
- E você, Deu?
- Eu acabaria com a enxaqueca.
- Quais são os seus times? Deu.
- Eu torço para o Palmeiras. Mas apesar de gostar de comida italiana, não gosto do Flamengo e do Corinthians, time das massas.
- Deus?
- Eu torço para a Seleção Brasileira!
- Vejam esta foto:
- O que está faltando nela? Deus.
- Estou faltando eu.
- Deu?
- Faltam mulatas.
O bloco já podia ser encerrado.
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André Ursípedes
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Seção: DEU - o singular de deus
Deu, o singular de Deus x Deus, o plural de Deu – 3º intervalo
O terceiro intervalo deste caloroso debate foi marcado por uma situação muito curiosa.
Enquanto Deus conversava com seus anjos, Deu debatia calorosamente com um desafeto da plateia. A gritaria foi tanta, que Deus chegou perto para saber o que estava acontecendo. Deu explicou-lhe a situação, que não importa aqui contar qual era, e Deus concordou com o ponto de vista de Deu.
Resultado: Deu e Deus se uniram contra o desafeto da plateia, e no final, quando estávamos prestes a começar o quarto bloco se cumprimentaram efusivamente.
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André Ursípedes
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Seção: DEU - o singular de deus
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Deu, o singular de Deus x Deus, o plural de Deu – 3º round
Assim introduzi o terceiro round deste grande duelo:
- Estamos de volta com o terceiro round do duelo, da briga, do debate, da disputa, da querela, da rixa entre Deu, o singular de Deus e Deus, o plural de Deu! Vamos conferir a pulsação dos dois candidatos! Primeiro Deu!
Olhamos todos para Deu, enquanto os paramédicos instalam o medidor em seu pulso.
- Oitenta e seis batimentos por segundo! - grito, exaltando o coração deste grande homem. - E agora, Deus! - todos olhamos para Deus, e os paramédicos têm uma postura corporal esquisita. Talvez seja pelo resultado - Cinco trilhões, novecentos e sessenta e seis mil, trezentos e quarenta e quatro batimentos por minuto! Isto significa nervosismo, Deus?
- Não, não. Meu coração costuma bater para mais de seis, sete trilhões, em épocas de guerras mundiais. Agora estou calminho. Meu coração tem que bater forte assim porque, como pode ver, sou muito grande. Dá muito trabalho estar em todos os lugares.
- Compreendo, compreendo! Isto também demanda muito sangue, como posso imaginar! E você, Deu? Está nervoso para o terceiro round?
- Como poderia estar nervoso num debate em que estou vencendo? - respondeu Deu, sempre bonachão - Meu coração está ótimo, porque, ao contrário do que dizem, a gordura trans faz muito bem ao corpo humano! E minhas veias esbanjam gordura trans, graças a Deu, graças a mim.
- Sei, seu fanfarrão! - respondi - Este bloco trata do plano de governo. Queremos saber quais são os projetos de nossos dois candidatos para os principais problemas do mundo. Os dois responderão as mesmas perguntas, para que o eleitor tenha base para comparar os dois programas de governo. Estão prontos para a primeira pergunta?
- Sim, sim! - respondem os dois.
- Então respondam, começando por Deus. Quais são seus planos para a solução dos problemas da África?
- O problema da África é tão complexo, - começou Deus - que não vejo uma solução possível. Creio que a melhor alternativa seja dar aos humanos a chance de habitar outros planetas. Assim as pessoas mais abastadas morariam em Marte, e os habitantes da África poderiam se mudar para a Europa, Estados Unidos e Austrália.
- E você, Deu? Como resolveria o problema da África?
- Eu? - disse Deu - Primeiro quero comentar a resposta de Deus. Ele sempre fala que acabará com a fome do mundo, mas que nada! Todos pedem: “O pão nosso de cada dia, nos dai hoje”, mas Deus não dá ouvidos a ninguém. Eu resolveria os problemas da África matando alguns líderes capitalistas pelo mundo. Mas um aparte: Não me chamem de comunista. Só quero matar os líderes capitalistas porque eles monopolizam comida.
- Segunda pergunta! Para os senhores, a Sonia Abraão continuará com tanto espaço para falar abobrinhas? Deus, por favor.
- Já falei várias vezes com esta mulher. Se ela não parar de falar abobrinhas e de se comunicar com defuntos, ela perderá o espaço na televisão para sempre. Mas ela prefere ouvir o diabo...
- Deu?
- Quem é Sonia Abraão? – perguntou Deu.
- Aquela que você chamou de filha da puta na terça. – intrometeu-se Deus.
- Ah, sim! Sabe o que essa mulher é? Eu vou te contar o que ela é. Ela é uma filha da puta.
- Não dará a solução para a existência dela?
- Não tem solução. Não sei se vocês sabem, mas é difícil lidar com uma filha da puta. Eu participei de um debate no programa dela, e fui editado em tempo real. Isso, em tempo real. Eu também não pensei que isso fosse possível, mas aconteceu. Além do mais, ela não me pegou os vinte mil reais que cobrei pela participação no debate. Então veja como fiquei: Participei de programa em que fui editado para pior em tempo real, manchei minha reputação e não ganhei dinheiro. Assim não dá.
- Agora uma terceira pergunta para fechar o bloco! Uma para Deus, outra para Deu. A primeira é para Deus. Se Deu é por nós, quem será contra?
- Boa sacada, boa sacada. Eu quero salientar que não estou contra Deu. Se ele fosse um candidato melhor que eu, não hesitaria em entregar-lhe o monopólio religioso da humanidade. Ele é muito bom. É uma ótima pessoa, com boas idéias. Mas acontece que eu sou perfeito. Se Deu está contra mim, não há problema. Eu não estarei contra ele. Deve ter alguns fanáticos contra Deu, mas nada com o que ele deva se preocupar.
- Agora, Deu. Se Deus é por nós, quem será contra?
- Não sei. É melhor você encerrar o bloco. Não tenho paciência para lidar com esta conjuntura.
- Voltamos já.
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André Ursípedes
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Seção: DEU - o singular de deus
Deu, o singular de Deus x Deus, o plural de Deu – 2º intervalo
Nada aconteceu de relevante no intervalo entre o segundo e o terceiro round entre Deu e Deus.
Deu estava muito tranquilo, e sentou-se quase deitado, com sua imensa barriga para cima. Deus tinha postura perfeita, olhar perfeito. Quem olha para Deus, tem a exata sensação de que ele é perfeito.
Quando faltavam três minutos para o fim dos comerciais, fui ao banheiro fazer xixi. Terminei somente quando restavam alguns segundos. Haja xixi.
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André Ursípedes
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terça-feira, 2 de junho de 2009
Deu, o singular de Deus x Deus, o plural de Deu – 2º round
Quando o diretor televisivo informou que cessaram os intervalos, pigarreei rapidamente para introduzir o segundo round de nosso debate.
Percebi que Deu mantinha um ar bonachão, enquanto Deus estava um pouco inseguro. Acho que Ele não esperava tamanha força de argumentação de seu oponente. Assim como não era de sua expectativa que a sexualidade de seu filho fosse posta em questão. Tentava manter um ar sereno, mas a preocupação era evidente.
- Sejam todos bem-vindos ao segundo round deste debate sem precedentes na história! – disse eu, quase gritando – Neste bloco, teremos a participação popular. Os espectadores nos enviaram cartas e vídeos com perguntas capciosas. As melhores serão exibidas aqui. Será que nossos candidatos estão prontos para enfrentar o grande público? É o que veremos a partir de agora!
Um grande telão foi posto no centro, entre Deus e Deu.
- Vamos à primeira pergunta! E ela vem de Manaus de uma fiel de Deus!
Eis o vídeo:
- Olá, Deus! Olá, Deu! Eu sou de Manaus e sempre fui fiel a Deus. Meu nome é Celeste. Creio que Deu é um cara muito novo, despreparado para tantas responsabilidades. E é sobre isso que irei falar. Sobre portabilidade. Enquanto posso acessar os serviços de Deus onde quer que eu esteja, sendo necessário somente rezar, para falar com Deus é preciso fazer uma ligação interurbana. Isto quando ele atende o celular! Deu, até quando será tão difícil falar com você?
Aplausos efusivos da platéia.
- Com a palavra, Deu!
- Olá, cara Celeste. – começou Deu, o singular de Deus - Pensei que a produção deste debate fosse selecionar as melhores perguntas. E também, por que a senhora não enviou uma carta? Assim pouparia a nós e a todos os espectadores de tamanha feiura! Mas agradeço por sua pergunta porque é uma grande oportunidade de desfazer um mito que passou por séculos. Eu disse séculos, não dias! Séculos! Quem disse que Deus escuta quando nós rezamos? Rezar é como falar com alguém que não sabemos que é surdo. Ou seja, a gente fala, acha que a pessoa escutou, e nos sentimos bem por passar a mensagem. Quando na verdade, a pessoa não ouviu bulhufas. É surda! Eu entendo a minha baixa disponibilidade. Mas pode ter certeza de que quando a senhora fala comigo, eu escuto e resolvo!
O burburinho não foi pequeno na sessão. Pratos de comida foram jogados ao ar. Até um tiro de revólver se ouviu. Aos berros, tentei conter a multidão, e não obtive sucesso.
- Deus, por favor, cale estas pessoas!
Em um segundo todos estavam mudos.
- Responda, Deus.
- Deu é mesmo muito audacioso. – respondeu Deus – E, se não está fingindo ignorância, é altamente burro. Como todos sabem, sou o Todo-Poderoso, criador do céu e da terra. Diferentemente de uma pessoa comum, quando vários conversam comigo, sou capaz de dar atenção plena a todos. Atenção plena, ouviu? E assim, resolvo todos os problemas do mundo.
- Como?! – interrompeu Deu – Resolve todos os problemas do mundo?! Então a fome na África não é um problema! A pedofilia, o nazismo, a miséria também não! Porque se fosse, o Senhor já os teria resolvido! – disse às gargalhadas.
- Quero que saibam que o que pedem às vezes não é o melhor. Tem gente que pede coisas que somente lhe causaria malefícios! Se há quem passe fome é porque precisa da fome! A fome é proposital!
- Bem, não preciso dizer mais nada. – ao dizer estas palavras, um sorriso triunfal era visível em Deu.
Estava aí um bom argumento. Deus se mostrava como o candidato mais teórico, enquanto Deu ia na prática. Nas pesquisas de Ibope em tempo real, era possível perceber um freqüente aumento da credibilidade de Deu. Vinha agora uma segunda pergunta. Desta vez, um fiel de Deu foi o escolhido.
- Olá, Deu! Como vai, Deus? Meu nome é Josevaldo, e faço agora uma pergunta a Deus. Deus, que horas são?
- Quatro e cinqüenta e oito.
Deu olhou no relógio e não tinha objeção nenhuma a fazer.
Assim encerrei o segundo round. Se isto fosse uma luta de boxe, Deu estaria vencendo por pontos.
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André Ursípedes
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Deu, o singular de Deus x Deus, o plural de Deu - 1º intervalo
O intervalo entre o primeiro e o segundo round de nosso debate correu com um grande trauma.
Deu ficou irritado com um assessor que pegou uma paçoquinha sem sua autorização. Aliás, isto foi o que o assessor argumentou, diante da acusação de Deu de que aquilo era roubo. "Vai ser fiel de Deus! Deus é que perdoa a tudo e a todos. Eu só gosto de gente fina e gente boa. E gente fina e gente boa não rouba paçoquinha!", gritou para grande constrangimento de todos. O assessor iniciou um choro e foi logo acolhido por Deus.
Fora isso, nenhum outro problema.
Para manter a boa voz, Deus e Deu tomaram bastante água. E para ninguém interromper o debate para fazer xixi, foram os dois ao banheiro.
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André Ursípedes
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
Deu, o singular de Deus x Deus, o plural de Deu - 1º round
Sempre houve uma grande rixa entre Deu e Deus. Sempre que Eles iniciaram uma conversa, nunca chegaram a um consenso. Deus se acha superior porque é o plural, e Deu se acha superior por ser singular. E assim baseiam seus argumentos: Um acha qualidades irrevogáveis onde o outro vê um defeito indiscutível.
É por isso que resolvi propor o primeiro debate público entre os dois. Assim as picuinhas serão postas de lado, e os fiéis saberão qual é o melhor e mais confiável líder espiritual.
O encontro foi na minha casa, para que ninguém se sentisse prejudicado. Deus ameaçou reclamar, mas no mesmo instante pedi que meus empregados lhe servissem um manjar dos deuses, seu prato preferido. Deu ficou um pouco enciumado, mas outro garçom lhe serviu paçoquinhas, seu tira gosto preferido.
Quase que o encontro que discutiria o futuro espiritual da humanidade foi subvertido a um mero colóquio culinário. Deus se distraiu e sua barba ficou logo toda manchada pelo manjar. Deu não dava ouvido a seus assessores - só achava tempo para recolher os farelos das paçoquinhas, surdo aos argumentos de que haviam muitas outras mais.
O debate ia começar, quando percebi que havia murmurinhos entre os assessores. Deus queria usar o banheiro.
- É para o número dois - cochichou-me Santo Inácio, com quem tenho muita intimidade.
Deu ouvia tudo achando muita graça, quando pousou gravemente sua mão esquerda sobre a barriga: Também teria que usar o toalete. Foram profundas as negociações, mas ficou decidido que Deus usaria o banheiro dos fundos, e Deu, o banheiro dos patrões. E de novo entramos em um impasse. Deus esbanjou sua escolha, que evocava humildade. Deu comemorou sua opção, que demonstrava superioridade e grandeza.
Se quiserem saber meu ponto de vista, acho que Deu se deu melhor. Na minha casa, não comprou papéis higiênicos de boa qualidade aos empregados. Eles não sabem lidar com a alta classe.
Poderíamos enfim começar o debate. Quarenta e cinco minutos de atraso. Comecei com a seguinte fala:
- Bom dia, Deu! Bom dia, Deus! É bom falar com os dois ao mesmo tempo. Creio que você já estão cientes de que terão que pagar os honorários de meus empregados. Vocês se atrasaram quarenta e cinco minutos nos banheiros para o início deste duelo.
- Por mim, tudo bem! - diz Deus - Eu até acho bom. Não tenho problemas com dinheiro, ao contrário de Deu. Tu preferes que eu dê tudo em gorjetas, diretamente aos funcionários, ou que te entregue o dinheiro, para que tu, então, pagues os funcionários?
- Dê-me diretamente. - Respondi - E você, Deu? Como pagará a sua parte?
- Eu não pagarei a minha parte. Isto é ladainha.
- Ponto para Deu! - disse prontamente - Um líder espiritual da altura de vocês deve saber quando alguém lhes está passando para trás. Por isso, Deu tem a primazia da palavra. Três minutos para a pergunta.
- Eu não quero me prolongar muito. Nem utilizarei os três minutos. Quero somente perguntar o seguinte a Deus. Se Jesus não é homossexual, por que ele tem cavanhaque?!
Altos burburinhos pela casa. Um trovão se ouve do lado de fora, e Deus, visivelmente vermelho, inicia sua resposta.
- Se Jesus é homossexual, jacaré é verde! Quero frisar que não há mal nenhum em ser homossexual nos tempos de hoje. O problema era quando a humanidade era baseada em alicerces inseguros, e era necessário que se aumentasse a população a qualquer custo. O número de humanos já é satisfatório. Quem quiser reproduzir, que reproduza. Mas quem não quiser, não tem problema. Um instantinho, por favor. - Deus escuta um de seus assessores, que lhe fala ao pé do ouvido - Acabo de receber a informação de que jacarés são verdes. Me desculpem pelo equívoco. Ao contrário de Deu, criei muitos animais, e isto chega a me confundir. Mas Jesus, meu filho, não é homossexual. Posso vos assegurar.
Deu inicia sua resposta em tom irônico.
- O que adianta criar tantos animais, se não sabe nem a cor deles? Eu não criei nenhum, mas meu filho não é homossexual. Jesu é macho!
Aplausos da plateia, e encerro o primeiro round deste debate para o intervalo comercial.
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Seção: DEU - o singular de deus
Telefonema de Obina
- Fala, Mestre Obina!
- Como você sabe que sou eu?
- Porque comprei acarajé! E você tem um faro apurado de acarajé.
- É... é... Mas eu liguei para dizer que fiz um gol!
- Ah, é para isso que me ligou? Mais nada?
- É! Fiz um gol pelo Palmeiras!
- Obina. Entenda uma coisa. As pessoas nunca te darão valor se você não tiver um mínimo de arrogância. Ninguém leva a graça a sério. Você tem que marcar os gols como se não se importasse, como se isso lhe fosse natural.
- Mas eu gosto tanto de marcar gol!
- Eu sei que gosta. Todos gostam. O que não pode é parecer que gosta tanto. Pode arrumar outro assunto para esta ligação!
- Tá. Deixa eu pensar.
Passamos dois minutos sem uma palavra. Eu estava distraído, prestando atenção na televisão. Obina, não. Era possível perceber que ele pensava em um segundo assunto para esta ligação.
- Já sei! Liguei para perguntar se você deixou um acarajé para mim ou comeu todos!
- Comi todos, brou. Não sabia que você queria.
- Ah... Então era isso! Abraço!
- Outro.
Desligamos. Ele, eu não sei. Mas eu comi o último acarajé do pote.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
Obina na minha casa
Qual não foi minha enorme surpresa, quando na tarde de segunda-feira, enquanto via a edição da noite do SPTV, me deparei com a seguinte notícia, na voz de Carlos Tramontina:
- O Palmeiras acaba de anunciar a contratação de Obina, do Flamengo!
Antes de minha risada cessar, eis que toca minha campainha. Espio pelo olho mágico e vejo o homem noticiado há pouco. Mantendo o estado pasmo da notícia recém chegada, respiro para abrir a porta a este grande amigo.
- Ora, ora! Se não é meu grande amigo, que agora joga pelo meu time?!
Obina olha para o chão um pouco constrangido. E diz, com o canto esquerdo da boca:
- Eu vim para cá o quanto antes. Queria ser o primeiro a lhe dar a notícia! Pelo jeito me atrasei, né?
Ele se entristeceu um pouco quando lhe contei que o Tramontina já havia dado a boa nova um minuto antes. Mas logo se esqueceu quando lhe disse que hoje mesmo havia comprado na feira dois acarajés.
- Comprei um para mim e outro para você. Pena que comi os dois no almoço!
De novo Obina se entristece.
- Desculpe, Obina. Não sabia que você vinha.
- Então por que comprou um acarajé para mim?
- Eu comprei um para você. E como não sabia que você vinha, comi para não estragar. Se você tivesse me contado antes, compraria três. Assim sobraria um para você, meu grande amigo.
Ele não entendeu nada e coçou a orelha. Dei-lhe logo um grande abraço com cócegas, para que se esquecesse dos acarajés. Senti logo que ele estava um pouco acima do peso. Mas, ao contrário do que recomendaria a qualquer outro jogador de futebol, ele não precisa de regime. Obina é um jogador que nunca jogou com o físico ideal. Para ele magreza até atrapalharia, pois já se acostumou a jogar com quilos a mais.
- Como é que é? Fica no Palmeiras até o final do ano, meu chapa?
- Fico, sim. E se Deus quiser, renovamos o contrato. Eu não sou melhor que o Eto´o, mas o Palmeiras é muito melhor que o Flamengo.
- Rapaz, você não tem mais que se preocupar em ser melhor que o Eto´o. Você tem que ser melhor que o Keirrison!
Obina olhou como se não entendesse. Percebi que não conhece Keirrison, o atacante titular do Palmeiras.
- Eu não vou jogar na NBA, não - disse Obina - Quem é esse Keirrison? Pelo nome, é jogador de basquete.
- Nada, não. Qualquer dia você o encontra por aí.
O celular de Obina toca, ele faz que sim com a cabeça umas três vezes e desliga.
- Tenho que ir embora. Hoje é dia de concentração.
- Tudo bem, meu grande amigo Obina. Vá lá!
Demos abraços efusivos e nos despedimos.
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Seção: Entrevistas com lideranças
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Clássicos? Sei. - Raul Seixas, Eu nasci há dez mil anos atrás
O leitor não deve nem imaginar de onde surge gente pedindo minhas ajudas.
Quando eu era criança, lá pelos meus 3, 4 anos, recebi uma carta. A dona Estefânia, a empregada, achou muito estranho que tenha chegado uma carta para mim.
- Logo para você, a única pessoa dessa casa que não sabe ler! – olhou-me intrigada.
Eu olhei de volta daquele jeito que criança faz quando não entende algum espanto alheio. A ela restava somente ler tudo para mim, já que eu era, acreditem, um analfabeto.
"Olá, Senhor André,
Meu nome é Raul Seixas. É muito provável que você não me conheça, pois há pessoas muito mais famosas que eu que, ao procurarem seus conselhos, se surpreenderam por você desconhecê-las.
Sou um monstro do rock brasileiro e devo morrer em breve. Não sei do quê.
Escrevo esta carta para me aproveitar dos seus dotes artísticos e lhe pedir que me aconselhe sobre a música que fiz.
Ela trata de magreza e dietas. Espero que seja do seu agrado. Não tenha vergonha de mudar nada, ok?
Ei-la:
Eu nasci há dez mil anos atrás
Eu nasci
Há dez mil anos atrás.
E não vi nada nesse mundo
Sem uns quilinhos a mais.
Eu vi gorduras sobressalentes nas anoréxicas,
Um grande pneuzinho na orelha da Gisele,
Eu vi Jesus fazer polichinelo
para ficar magro quando fosse crucificado.
Eu vi...
Eu vi Noé precisando emagrecer para que a arca não afundasse,
Vi bebê recusando cebola pelo seu alto teor calórico,
Eu vi Nossa Senhora malhando para recuperar o peso que tinha
Antes do Espírito Santo tê-la engravidado.
Eu vi...
Eu vi Cleópatra com gordura na batata,
Eu vi Napoleão de mau humor por uma dieta,
Vi coelhos se reproduzindo
Só para queimar a gordura acumulada.
Eu vi...
Eu li todas as revistas de dieta,
Eu vi gente engordar sem deixar a boca aberta,
Vi mulheres emagrecendo três quilos em um mês
E engordando o dobro em uma semana.
Eu vi,
Eu vi um velociraptor enfartando de tanto comer dinossauro,
Vi mamute cortando os chifres para enganar a balança,
Eu vi gente reclamando de Jesus
porque ele achou os peixes bem em época de dieta!
Eu vi...
E aí, André? Gostou? Espero que sim.
Escreva-me o quanto antes com as mudanças propostas. E informe no verso da carta a quantia para a manutenção do anonimato.
Grande abraço,
Raul Seixas, um monstro do rock”
Quando dona Estefânia terminou de ler, fui logo ditando a carta de resposta, sem ao menos esperar que ela pegasse uma caneta e uma folha de papel:
“Caro Raul Seixas,
É claro que o conheço. Você não é aquele loirinho que apresenta o Domingo Legal?
Sobre a música, gostei muito. Mas imagino que você não quer uma boa música. Você quer uma música que faça sucesso. Para isso, lhe proponho que escreva para um sujeito que não é amigo meu, mas que certamente lhe dará bons conselhos para a fama e o sucesso. O nome dele é Paulo Coelho e atende pelo e-mail paulocoelho_vampiro@hotmail.com .
Qualquer coisa, escreva-me mais tarde. Desejo cinco mil reais para trocar de colchão.
Abraços efusivos,
André
Ps: Não ligue para os erros de ortografia desta carta. É que não sei escrever. Estou ditando para minha empregada”
E assim começou a grande parceria entre Raul Seixas, o monstro do rock, e Paulo Coelho.
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Seção: Clássicos? Sei.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Roupas ultra camufláveis para animais
A foto retrata cento e quarenta e sete bois utilizando as vestimentas ultra camufláveis para animais. O experimento foi um sucesso, mas perdemos sete bois, e quatro vacas foram engravidadas pelo espírito santo.
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Seção: Roupas ultra camufláveis
terça-feira, 19 de maio de 2009
O exame
O doutor recebeu os exames das mãos da própria mãe do menino. Ela estava muito tensa, e posso dizer até que lhe tremiam as mãos. O olhar, que na maioria do tempo era distraído, agora estava fixo naquele homem de branco.
- Doutor! Fale logo, doutor!
Roberval, era o nome dele, do médico. Ele fez medicina para que lhe pudessem chamar de outra coisa, de doutor. Talvez lhe fosse menos despendioso ser um cobrador, mas ônibus sempre lhe causou enjôo.
- A senhora vai bem? - perguntou Roberval, se aproveitando da agonia daquela mulher.
- Bem, bem.
- Temos novidades? - continuou, com os exames nas mãos, sem demonstrar que pretendia abri-lo.
- Depende do que está aí dentro - respondeu Marlene, apontando o envelope.
O menino? O menino estava impassível, como se o exame fosse de um desconhecido.
- Como o menino tem passado? Os sinais cessaram?
- Não sei. outro dia achei o rosto dele avermelhado, já ia ligar par ao senhor, mas vi que o menino só estava com vergonha. Terça-feira achei que ele tinha hipotermia, mas foi só aquecer a piscina que passou. Ontem ele rejeitou Coca-Cola, mas logo vi que estava sem gelo. Doutor, eu estou apavorada, doutor!
- Entendo. Coca sem gelo, não dá.
Roberval enfim se concentrou no exame. Olhou com gravidade o envelope branco. Começou a abri-lo, mas era necessário tirar aquela cola. Parecia impossível. Rasgou o envelope e não abriu.
- A senhora tem uma tesoura? - perguntou, seguindo a tese própria de que as mulheres bonitas têm tudo na bolsa.
- Não, doutor!
Ele olhou para Marlene mais criteriosamente e percebeu que ela não era bonita assim.
Pegou o telefone e falou rapidamente:
- Suzana! Traga já uma tesoura.
Os dois se encaravam. De repente Marlene se lembrou de que o menino estava ao lado dela. Abraçou-o fortemente. Roberval olhava como se a cena fosse cômica.
- Calor.
- É, calor.
Enfim, a tesoura chegou. Suzana sorriu para a mãe, e fez uma careta infantil ao menino, que achou graça.
Robeval abriu o exame, e logo falou:
- É, dona Marlene. Seu filho definitivamente não poderia ser um tubarão.
A mãe não se mexeu.
Marlene, notando que Roberval esperava uma reação obrigatória para seguir adiante, perguntou:
- Por que, doutor?! Meu filho não poderia ser um tubarão?!
- De jeito nenhum! Nem pensar! O que ele tem, é alergia a peixe!
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Seção: Crônicas
domingo, 17 de maio de 2009
Ombudsman
Olá, meu nome é Pelé, e você deve saber muito bem que sou o ombudsman oficial do blog Eu não sou virgem, Maria! e que não joguei a copa de 70.
Não deve ter um ombudsman falsificado, até porque esta função é mais indesejada que a de limpeza de fezes de elefante. Mas na internet é bom dizer logo que é oficial, porque aqui se falsifica tudo! Não sei por que toquei no assunto dos elefantes. Foi um grande erro. André disse uma vez que sou ombudsman porque não há pior função nem menos remunerada. É capaz de ele comprar um elefante só para me pagar menos.
Vocês devem ter notado que não atualizo minha coluna há tempos. Já enviei diversos textos para André publicar, mas ele encontra tantas falhas, que inviabiliza a publicação da coluna. Ele acha erros em lugares que não existem! É o que eu chamo de burocracia na correção textual. Ele de um jeito tão pessoal, sem lógica nenhuma, que impossibilita qualquer avanço. Mas não falemos mais de bazófias. Sei muito bem da importância deste blog para a internet mundial, e é sobre ele que sou remunerado a escrever.
Tenho recebido muitas reclamações de que o blog está com um sério déficit nas atualizações. Uma reivindicação corrente é a de que poste aos finais de semana. Ele já respondeu dizendo que tem coisas melhores a fazer aos sábados e domingos. Tudo bem, entendemos. Agora, porém, não têm sido raros os dias úteis em que ele não posta! Na terça e na quarta-feira desta semana, por exemplo, não houve post algum. Falemos com o autor para esclarecermos este problema.
Pelé: André, sabemos que sua vida é atribulada. Mas por que não tem postado?
André: Eu? Eu não tenho postado? Postei muitas vezes no ano passado.
Pelé: Pois é. Mas nesta semana você não postou por duas oportunidades.
André: Pois é. Esqueci. Que bom que você avisou. Mas é pena que não se pode voltar no tempo, senão eu postaria.
Pelé: Então a falta de posts neste espaço é um mero problema de esquecimento?
André: Isso mesmo. Quanto você cobraria para me lembrar todos os dias que é necessário postar?
Pelé: Uns dez reais por dia.
André: E se eu não te pagasse, você me avisaria da mesma forma?
Pelé: Sim.
André: Então não vou lhe pagar. Não sou burro. Vou pagar por uma coisa que posso ter de graça?!
Agora o leitor entende a dificuldade de lidar com este homem? Tudo que ele tem de talentoso, tem de complicado no fino trato.
André: Ah! Esqueci de falar uma coisa.
Pelé: Sim?
André: Seus textos vêm com muitos erros! O senhor precisa aprender a usar vírgulas muitas, muitas vezes! Dá charme ao texto.
Pelé: Pensarei sobre isso.
André: Não adianta pensar. Tem que agir, meu filho!
Bem. Entendo que André se irrite com meu jeito de escrever. Mas ele não implica com os erros. Implica com tudo o que escrevo e não se parece com o que ele escreve. No mais, peço para que vocês reclamem menos do blog. Isto aumenta meu trabalho e os conflitos com meu chefe.
Agradecidamente,
Pelé
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André Ursípedes
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Seção: Ombudsman
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Regra de convivência #328 - Ser tímido
Há alguns desafios por que um ser humano tem que passar para se tornar uma pessoa decente.
Se você tem um pai que não gosta de futebol, por exemplo, o seu afinco para gostar deste esporte terá que ser dobrado. Se seus pais são ladrões, será necessário sempre uma atenção especial para que você também não o seja. Assim como se os ambientes de sua infância forem compostas de pessoas extrovertidas.
O grande mal da educação brasileira é a obsessão pela extroversão. Não há pecado maior nas nossas escolinhas que o da timidez. As tias matam a timidez como se fosse lepra que deve ser extirpada das crianças a todo custo! E ainda contam com o apoio dos pais! Eu soube de uma mãe que, arrasada pela timidez do mais novo, o obrigava a cumprimentar desconhecidos na rua! Isso com o apoio dos professores do Pré 1, que o colocavam sempre com duplinhas diferentes nas aulas de artes.
A necessidade de uma pessoa ser extrovertida não é nada mais que um senso comum. As pessoas que assim pensam, acham que a pessoa extrovertida é a que obtém maior sucesso profissional, que conquista mais facilmente as pessoas do sexo oposto, e outras coisas maravilhosas.
Mal sabem dos grandes benefícios da timidez. Aliás, nos tempos de superexposição, a timidez é a grande qualidade humana! O tímido se põe à parte da certeza geral burra. No lugar do relacionamento com desconhecidos, o tímido está sempre pensando. Pensando em um livro, em um jeito diferente de se abrir a porta, num caminho novo, num helicóptero.
Veja só. Alguém acha que seria possível Leonardo Da Vinci inventar tantas coisas, não fosse tímido? Fosse ele um extrovertido, gastaria toda sua genialidade no bom trato.
Por isso, ao ver as pessoas reprimindo sua timidez, corte a relação. Senão, você poderá se tornar um falso extrovertido – a pior categoria de extroversão.
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André Ursípedes
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Seção: Regras de convivência
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Entrevista de emprego
Chego dez minutos antes do horário marcado porque é assim que os ingleses fazem. E como são confiáveis, os ingleses. Mas seria só me ouvir falando, que se perceberia que não sou inglês. O entrevistador só ouviria minha voz quarenta minutos depois, porque ele se atrasou trinta minutos, talvez para mostrar que aqui não é a Inglaterra, e que ele não vai cair nessa ladainha de candidato a emprego metido a inglês.
- Bom dia. - diz, como quem não está atrasado.
- Olá - digo, como quem não estivesse com raiva do outro estar atrasado.
- Li seu currículo e o texto que você enviou. É um texto muito ousado para um currículo tão raquítico.
Minha cara de bobo não demonstra se engoli o elogio ou a crítica. Acho que ele elogiou o texto para que eu quisesse trabalhar na empresa, e desqualificou o currículo para que não exigisse um bom salário.
- Ah, você gostou do texto?
- Não, não. Eu só disse que é um texto ousado. Um bom texto pode ser ousado ou não.
- Eu não disse que você gostou do texto. Eu só perguntei se você gostou.
- Ah, sim. Gostei.
Poderia sorrir neste momento, mas sei que ele certamente aproveitaria para outra crítica, e isso o convenceria de que não sou um bom candidato. Explico: A necessidade do entrevistador de criticar o candidato o convence de que o candidato não presta. Por isso é preciso dar o menor número de brechas para críticas.
Quando ao currículo raquítico, arrependi-me veementemente por não ter diminuído as margens e aumentado a fonte. Os entrevistadores dão muito valor ao tamanho do currículo, porque provavelmente são pessoas de idade mais elevada. Estas pessoas se ressentem dos mais jovens que podem enxergar letras pequenas.
- Você está aqui porque preciso de alguém para me ajudar nesta revista sobre vulcões. Por isso preciso saber se a sua personalidade se enquadra com o tema.
- Sim, sim. Entendo. A revista é ótima. Tem um artigo sobre maravilhoso a baixa periculosidade das lavas em regiões inóspitas.
Este comentário foi programado. Li a revista no último sábado e percebi que este artigo havia sido escrito pelo entrevistador.
- É muito bom, esse artigo. Foi muito elogiado por toda a revista. Leitores enviaram cartas, também. Vamos às perguntas. O que você pensa sobre vulcões?
- Deixe-me pensar.
- São respostas rápidas, para que eu possa avaliar precisamente a sua personalidade. E para que o candidato não enfeite muito, também.
Porra.
- Os vulcões, para mim, são uns injustiçados. Porque eles nunca atacam de surpresa, apesar de as pessoas se surpreenderem com eles. O vulcão está lá, mesmo que inativo. Sempre já há possibilidade de ele estourar. Os vulcões são muito sinceros.
O entrevistador franze a sobrancelha, não sabendo ainda se aprovou ou não minha impressão sobre os vulcões.
- O que você mudaria?
- Como assim?
Ele me olha nos olhos, espantado com meu retardo mental por não entender esta pergunta.
- Digo... O que você mudaria?
- Mudaria em quê? No mundo? Sobre os vulcões?
- O que você mudaria no mundo sobre os vulcões?
- Calma. Preciso pensar novamente.
- E eu preciso novamente avisá-lo que a resposta precisa ser rápida.
- Então vai para a puta que te pariu! – não disse.
- Eu mudaria o posicionamento dos vulcões. Deixaria todos debaixo do mar, para que quando entrassem em erupção, só queimassem aqueles peixes cegos. – disse.
Ele me olha com mais espanto ainda. Eu devolvo o espanto. Ele olha para baixo. Ufa.
- Qual é a sua disponibilidade para trabalhar aos finais de semana?
- Nenhuma.
- E horas extras?
- Nenhuma.
- Olha. Eu fiz essas perguntas para saber do seu comprometimento com a empresa. O contratado não precisará nunca fazer horas extras ou trabalhar aos finais de semana.
Provavelmente o leitor acha que neste momento senti um arrependimento profundo. Mas não senti. Como eu adivinharia?
Quando se vai fazer uma entrevista de emprego, há duas opções que variam com o desespero. Você pode se mostrar maravilhoso como não é, ou tosco como é. Claro que a chance de ser contratado se mostrando maravilhoso, é maior, mas depois há uma grande possibilidade de perceberem que você não é maravilhoso, e o demitirão por isso.
A equação é a seguinte: se o candidato se mostrar modesto, a chance de ser contratado é menor, mas se conseguir a vaga, a chance de permanecer no emprego é quase plena. Se o candidato de mostrar maravilhoso, a chance de ser contratado é muito maior, assim como a chance de não permanecer no emprego.
- Por que você veio de bermudas? - pergunta-me, de supetão.
- Porque está calor.
- Aqui usamos ar-condicionado. Se você for contratado, estaria disposto a vestir calças?
- Sim, sim. No anúncio desta vaga, não estava escrito que se usa ar-condicionado nesta empresa.
- Mas utilizamos.
Eu poderia continuar com a discussão, mas não queira discutir com um entrevistador. Por mais que você tenha razão, ele não vai admitir. Ou seja: Como ele está numa posição superior à sua, é ele quem tem a razão em todas as instâncias, e discutir seria como tentar permanecer no erro à força.
- E gravata? Por que não veio de gravata?
- Porque não combina com bermuda.
- E por que você veio de bermuda?
- Acho que o senhor já fez uma pergunta semelhante.
É chegada a hora na entrevista em que o candidato tem que se impor e perguntar as coisas da empresa. Aí a situação se inverte, e o entrevistador percebe que o candidato também escolhe a empresa.
- Qual é o salário? - pergunto.
- Você é do tipo de jovem que só trabalha pelo salário?
- Não. Eu só perguntei o salário. Vai que vocês sejam escravistas.
- Eu tenho cara de escravista? – me pergunta, como se fosse um gênio.
- E eu tenho cara de ganancioso? – respondo, como se fosse um humorista.
Silêncio.
- Queira, por favor, me dizer o salário?
- Mil. - diz, com vergonha.
É por isso que ele não queria dizer.
- Mil? - pergunto incrédulo.
- É, mil.
- Mil. - digo, conformado.
- Mil.
Agora todas as coisas mudam. Eu posso seriamente não querer este emprego.
- Mil reais, e tem que vir de gravata?
- Isso se você achar necessário. Acho que basta.
- Quando obtenho a resposta?
- Semana que vem.
Nos cumprimentamos discretamente e fui embora.
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André Ursípedes
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Seção: Crônicas
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Amnésia de japonês mata dezenas de amigos imaginários
A manhã desta segunda-feira foi marcada por uma grande catástrofe na cidade de Nagoya, Japão. Um jovem de aproximadamente dezesseis anos sofreu uma amnésia ao bater com a cabeça em um poste, e provocou a morte de dezenas de amigos imaginários. Os médicos dizem que a situação é irreversível.
Shimizu sempre andava de bicicleta nas redondezas do parque municipal de Nagoya e era, até, considerado um bom ciclista. Nesta segunda-feira, porém, nem suas habilidades foram capazes de desviar de uma cão sem proporcionar um acidente. O cachorro nada sofreu. Shimizu, no entanto, se espatifou com a cabeça em um dos dezessete postes do parque, proporcionando um forte estalo.
"Pela conversa que tive com o paciente posso dizer que os amigos imaginários estão quase todos mortos", revela a psicóloga de Shimizu, dona Nagori. "Há uma meia dúzia de feridos, mas creio que devem morrer todos nos próximos dias. Esta batida causou um amadurecimento súbito em Suzuki", completa.
Pouca gente sabia da existência de tantos amigos imaginários na cabeça deste jovem japonês. Foi seu amigo Shitaro quem primeiro informou à polícia. "Ele sempre falava desses amigos e eu nunca dei bola. Agora que eles morreram, sinto saudade", diz em tom um tanto triste, como é de se compreender. Ele diz que os amigos imaginários de Shimizu somavam a 46, cada um com uma personalidade diferente.
Os amigos imaginários não serão enterrados, visto que no Japão o acesso à terra imaginária é um tanto restrito, além de não haver cemitérios imaginários. Shimizu passa bem, e fontes seguras indicam que ele não sentirá falta dos amigos, já que se esqueceu deles peremptoriamente.
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André Ursípedes
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Seção: Crônicas
